No Piauí, o caju é mais do que um fruto típico do semiárido. A produção movimenta negócios, gera renda e faz parte da rotina de centenas de famílias no campo. Mas para muitos produtores, essa realidade precisou ser reconstruída. Francisca Gomes, agricultora, sabe bem disso. Durante anos, a família produziu o chamado caju gigante, até que as fortes estiagens começaram a mudar a paisagem. No lugar dos cajueiros antigos, entrou o caju-anão precoce. Entre as variedades cultivadas, está a BRS 226, escolhida principalmente pela adaptação às condições do semiárido e pelo potencial produtivo.
“Esse caju, ele é oriundo do município de Pio IX. Então, ele é 100% adaptado às condições climáticas que nós temos aqui em Picos, né, e apresenta também uma produtividade bem maior em relação a outras variedades que nós temos no mercado. E os produtores têm acreditado cada vez mais e investido nela”, explica Joanderson Mendes, engenheiro agrônomo.
Por lá, produção do caju ganha reforço com a tecnologia. O uso de variantes mais produtivas ajuda o produtor a ter controle sobre o desenvolvimento do caju e também a evitar pragas. E os resultados dessa mudança já aparecem no pomar. O cajueiro começa a dar os primeiros cachos ainda novo. A produção é controlada nos primeiros anos para que a planta ganhe mais força.
“Se deixar, com dois anos eles já começam a produzir. Mas a gente não pode deixar, porque vai ocupar muito o pé de caju com dois, três galhos de caju e a gente não pode deixar. Ai tira aqueles cachos e deixa para produzir mesmo só com três anos”, conta a agricultora.
E foi justamente para mostrar experiências como esta que produtores, técnicos e empreendedores percorreram propriedades da região. A visita faz parte do Caju Conecta, que transforma o campo em um espaço de troca de conhecimento sobre manejo, tecnologia e novas formas de fortalecer a cajucultura.
“Para que fortalecer esse produtor, para que ele saia do campo à mesa, né? Dele que saia da produção e chegue ao supermercado, chegue à casa das pessoas, né? Então, com certificações, com consultorias avançadas tecnológicas, trabalhando recursos humanos, gestão de pessoas, liderança nas suas comunidades, né?”, afirma Karine Leão, gerente Regional do Sebrae em Picos.
Entre tecnologia, sustentabilidade e novas oportunidades, a cajucultura segue ganhando espaço e mostrando a força que tem para a economia da região.
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