A violência política contra mulheres segue como obstáculo à participação feminina nas eleições. Um estudo lançado pela rede A Ponte reúne informações inéditas sobre o que acontece durante o exercício do mandato. Oito em cada 10 mulheres negras eleitas vereadoras já sofreram com violência.
Embora as mulheres representem 51,5% da população brasileira, ou seja, a maioria, a presença feminina nas câmaras municipais é de apenas 18%. E ao incorporar o recorte racial, no qual 28% das brasileiras são negras, esse quadro se aprofunda ainda mais. Apenas 7,5% das vereadoras são negras.
Entre as explicações para esse desequilíbrio de representação, está a violência política de gênero e raça, que é praticada tanto pelos partidos, na hora de escolher as candidatas, quanto dentro dos próprios parlamentos.
São recorrentes denúncias de parlamentares mulheres que têm dificuldades em exercerem seus mandatos, sofrendo boicotes de adversários políticos e às vezes dos próprios partidos.
O assunto faz parte do levantamento Violência Política de Gênero e Raça no Legislativo Municipal, que foi lançado, nesta terça-feira (11), no Rio de Janeiro. Segundo uma das coordenadoras do estudo, Amanda de Albuquerque, o racismo estrutural atinge 81% das mulheres negras em cargos legislativos municipais, que já sofreram violência enquanto exerciam o mandato.
“A gente tem esse desafio assim de uma desigualdade estrutural mesmo no país, que tá dada: o racismo institucional, o racismo estrutural é uma realidade concreta que vai ser refletida também no jogo político, né? Então as mulheres negras estão num lugar em que muitas vezes elas vão sofrer coisas que outras mulheres brancas sofrem, né, como um corte de microfone ou falta de acesso à presidência de uma comissão. Mas em algum momento vão estar falando do cabelo dela, que é um black power, na hora em que ela tá no microfone. Não falariam isso de uma mulher branca, de cabelo alisado, em um padrão de beleza estética branca. Da mulher negra se sentem no direito de falar e de questionar, de deslegitimar da presença daquele corpo naquele espaço por ser um corpo negro, com um fenótipo negro, né? Então acho que essa é uma das dimensões visíveis assim que a gente tem nessas parlamentares: elas sendo questionadas pelo corpo dela, o que representa esse corpo, né, que a gente não vê isso nas mulheres, das mulheres brancas que estão na nossa rede, por exemplo”, reflete Amanda.
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