A busca por petróleo no fundo do mar pode estar afastando golfinhos e baleias de áreas onde são realizadas as pesquisas. É o que aponta um estudo feito pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro. A investigação mostra que a atividade de prospecção pode afetar a vida marinha e alterar o comportamento dos animais.
A poluição sonora de ondas sísmicas provocadas pela prospecção de petróleo na costa brasileira está interferindo na vida de mamíferos marinhos, como golfinhos da espécie pintados-pantropicais e baleias-jubarte. A conclusão faz parte de um estudo de quatro anos desenvolvido em alto-mar nas bacias de Campos e de Santos.
Israel Maciel, pesquisador em ecologia (UERJ): "A forma que a pesquisa sísmica usa mundialmente para encontrar essas reservas de óleo e gás é utilizando as armas de ar, chamadas de airguns. São canhões que atiram como se fossem bolhas de ar. Essas bolhas se propagam até o fundo do oceano e refletem de volta para a superfície. De acordo com a reflexão dessa vibração, o som é captado pelos sensores, que fazem o imageamento do fundo do mar. No caso da baleia-jubarte, ela precisou fazer vocalizações cada vez mais curtas e mais baixas para fugir da faixa de ruído produzida pelos airguns. Do lado oposto, o golfinho, que naturalmente emite sons agudos, acabou produzindo sons ainda mais agudos e longos."
Os pesquisadores atuaram embarcados utilizando microfones subaquáticos para gravar os sons emitidos pelos golfinhos e pelas baleias.
Maria Alice dos Santos, UERJ: "Impactos humanos, em termos de ruídos no ambiente aquático, podem trazer várias consequências para esses animais, que utilizam muito os sons para a comunicação. Esses sons são importantes tanto para encontrar alimento e evitar predação quanto para a comunicação social. Isso é vital para que eles possam, além de se manter naquele ambiente, reproduzir-se. Inclusive, podem até chegar a abandonar o ambiente se o ruído for muito intenso."
Para a pesquisadora, é fundamental que sejam realizados levantamentos sobre os impactos dos ruídos antes da procura por petróleo no leito do oceano.
A Petrobras informou que o licenciamento ambiental das atividades de pesquisa sísmica é precedido por estudos ambientais, conforme as regras do Ibama. De acordo com a empresa, os impactos relacionados ao ruído subaquático são considerados temporários, reversíveis e restritos às proximidades da operação, e reforçou que a atividade é interrompida quando animais marinhos são avistados nas áreas de segurança.
Já o Ibama informou que, atualmente, há cinco licenças emitidas para os empreendimentos ao longo das Bacias de Santos e Campos. Segundo o órgão, o impacto acústico das atividades é avaliado e monitorado pelo órgão.
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