Digite sua busca e aperte enter

Compartilhar:

Contrabando de medicamentos para emagrecer aumenta no Brasil

Repórter Brasil

No AR em 02/09/2026 - 19:00

A procura por medicamentos para emagrecer cresceu no Brasil e, com ela, também cresceu o mercado ilegal. Investigações apontam para o aumento do contrabando de substâncias como a tirzepatida, enquanto médicos alertam para os riscos do uso sem acompanhamento. A reportagem mostra como esse mercado avançou e as consequências para quem recorre a produtos sem controle sanitário.

Em abril, agentes da Receita Federal encontraram mais de 2,5 mil frascos de tirzepatida escondidos em potes de doce de leite dentro de um ônibus que chegava do Paraguai. A apreensão é um exemplo do crescimento do mercado ilegal de medicamentos para emagrecer no Brasil. Produtos já foram encontrados também em escapamentos de motocicletas e solados falsos de sapatos. 

A tirzepatida é o princípio ativo do Mounjaro. Outro medicamento da classe dos agonistas de GLP-1 é o Wegovy, à base de semaglutida. Segundo a Euromonitor International, 5,5% da população brasileira já usam ou usaram medicamentos dessa classe. No mundo, a média é de 3,7%.

Mesmo com os alertas, há quem aceite os riscos para emagrecer. Taiane Torres, tosadora de animais no Rio de Janeiro, compra um medicamento produzido no Paraguai que não foi avaliado pelas autoridades sanitárias brasileiras.

Taiane Torres - tosadora de animais: "Sempre temos medo, pois, como há a fama de que o medicamento não é legalizado em nosso país, ficamos com o pé atrás. No entanto, como queremos emagrecer, acabamos topando qualquer coisa. Graças a Deus, já perdi 4 kg em um mês."

O produto é vendido legalmente no Paraguai. No Brasil, porém, a entrada irregular é proibida. A diferença de preço é um dos fatores que ajudam a explicar a procura. A cabeleireira Cláudia Leal também usa um medicamento que veio do país vizinho. Ela relata que começou o tratamento por ter sobrepeso e diabetes.

Cláudia Leal - cabeleireira: "Eu estava acima do peso, tenho diabetes e resolvi investir nesse tratamento. Esse que estou tomando vem do Paraguai. Já o utilizo desde março."

A filha dela, Vitória Braga, também usa o medicamento. Após aumentar a dose, teve uma reação forte.

Vitória Braga - assistente de RH: "Eu quis aumentar a dose e tomei a de cinco miligramas. Com ela, passei mal. Senti dores de cabeça durante uma semana. Não sentia fome alguma; qualquer alimento para o qual eu olhasse já me embrulhava o estômago, não conseguia comer nada. Fiquei com fraqueza porque não me alimentava. Tive dores de cabeça semelhantes à enxaqueca. Durante a noite, eu tinha febre."

Além dos riscos à saúde, há preocupação com as condições de transporte e armazenamento dos produtos. Especialistas ouvidos pela Reuters alertam que o calor excessivo e o armazenamento incorreto podem comprometer as injeções. A polícia investiga o contrabando e a venda clandestina.

Wellington Vieira - inspetor de polícia: "O que a Polícia Civil faz é uma repressão qualificada a essa prática criminosa. Esse tipo de delito, após a mercadoria ser contrabandeada, é considerado um crime contra a saúde pública, previsto no artigo 273 do Código Penal, e a pena é considerável, chegando a até 15 anos de reclusão."

Segundo o investigador, a venda ilegal envolve clínicas e vendedores que atuam fora dos canais regulados.

Wellington Vieira - inspetor de polícia: "São grupos específicos que atuam nesse segmento, o qual consideramos clandestino porque a venda é proibida no Brasil. Esses grupos estão ligados a clínicas médicas, clínicas de estética e vendedores individuais que acessam tais redes para realizar o comércio irregular."

Entre 2018 e agosto deste ano, as autoridades brasileiras registraram 83 mortes e mais de 3,6 mil complicações em investigação relacionadas a medicamentos para emagrecer. Mais de 60% das complicações foram notificadas em 2025 e 2026. Os dados não permitem atribuir essas mortes diretamente aos produtos contrabandeados, mas especialistas alertam para os riscos do uso sem controle sanitário e sem acompanhamento médico.

Clique aqui para saber como sintonizar a programação da TV Brasil.

Criado em 02/09/2026 - 22:15

Últimas

O que vem por aí