Há 17 anos, o Supremo Tribunal Federal (STF) derrubou a exigência do diploma para o exercício do jornalismo no Brasil. Agora, declarações de ministros do STF voltaram a colocar o tema em discussão. Ainda não há mudança na regra, mas estudantes e profissionais defendem a importância da formação.
Diante das transformações na forma como a informação é produzida e compartilhada, o assunto volta a ganhar força. O ponto central passa pela diferença entre o direito de qualquer pessoa se expressar e o exercício profissional de uma atividade que envolve apuração, ética e responsabilidade. Como explica Mayara Ferreira, coordenadora do curso de Jornalismo da UESPI da cidade de Picos (PI)
No contexto de hoje, de fake news e de inteligência artificial, o profissional jornalista é quem tem essa responsabilidade, essa preparação, o que não anula a liberdade de expressão. Qualquer pessoa pode continuar se comunicando, opinando, se posicionando, mas é o profissional jornalista que vai tratar essas informações e entregar com responsabilidade às pessoas.
O tema ganhou novo fôlego durante um julgamento sobre o direito de resposta. Na sessão, os ministros Alexandre de Moraes e Flávio Dino questionaram os efeitos da decisão de 2009.
“Hoje, com as redes sociais, em que qualquer pessoa acorda e diz: ‘A partir de hoje, eu sou um jornalista’, e começa no seu blog a ofender a honra de inúmeras pessoas e se escudar na liberdade de imprensa, claramente, nós não podemos normalizar isso e tratar essas pessoas como a imprensa séria, o jornalismo sério. Então, talvez seja realmente o momento de refletirmos”, afirmou o ministro Alexandre de Moraes.
Entre quem ainda está na faculdade, a possibilidade de mudança também é associada ao reconhecimento da profissão.
“Hoje a gente percebe muitos influenciadores, blogueiros que querem levar a informação e, por isso, querem ser nomeados como jornalistas, né? E aí a gente que estuda, que está nesse processo de quatro anos estudando para levar a comunicação com responsabilidade, levar informação apurada, se sente desmotivado, vendo que uma profissão que a gente admira tanto, que a gente se esforça tanto na academia para poder executar, está sendo desvalorizada por causa dessa decisão”, pontua a estudante de Jornalismo Roberta Diniz,
Dezessete anos depois da decisão que retirou a obrigatoriedade, o futuro da exigência do diploma ainda está em aberto, mas o assunto coloca novamente em pauta o que diferencia o exercício profissional do jornalismo e a responsabilidade de quem escolhe transformar fatos em informação.
A reportagem é da TV Picos, emissora da Rede Nacional de Comunicação Pública.
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