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Dia do Combate ao Câncer: esporte pode ser um aliado contra a doença

Stadium

No AR em 27/11/2025 - 18:30

Hoje é o Dia Nacional do Combate ao Câncer. A doença costuma ser a primeira ou a segunda maior causa de mortes prematuras em diversos países mundo afora, como no Brasil. Os estudos têm avançado na busca por tratamentos e curas. E a prática de atividades físicas é importante aliada nessa batalha.

Mais do que selar o triunfo do Orlando Pride na Liga dos Estados Unidos, o gol foi também o da vitória de Luana. O primeiro após dois anos e meio do diagnóstico do linfoma de Hodgkin, um câncer que se desenvolve no sistema linfático, e três meses depois de voltar a jogar, recuperada da doença.

Raquel Kockhann, da seleção feminina de rugby, também venceu um câncer. No caso, o de mama. E viveu, em Paris, sua terceira e mais especial olimpíada, como porta-bandeira da delegação brasileira.

Solucionar uma enfermidade cuja estimativa é de mais de 700 mil casos por ano e que mata cerca de 225 mil pessoas anualmente é um desafio para a medicina. 

Mas nem sempre se entendeu o esporte como uma arma no tratamento do câncer, como lembra o fisiologista Diego Leite de Barros: “A gente pegava, por exemplo, uma pessoa hipertensa. Tinha um grande medo de ela fazer atividade física pelos picos de pressão que têm durante a atividade. Só que aí com os estudos, a medicina do esporte principalmente trouxe dados para que a gente entendesse isso ao longo do tempo.”

A Sociedade Brasileira de Oncologista Clínica, o Instituto Nacional do Câncer e a Sociedade Brasileira de Atividade Física e Saúde publicaram um documento para fundamentar a recomendação de exercícios a pessoas que têm ou tiveram câncer.

Recomenda-se, por exemplo, durante o tratamento ativo, indicar 150 minutos semanais e moderados de atividades. Ou 75 minutos vigorosos. Ou até uma combinação entre eles.

Ainda segundo o documento, a prática de exercícios reduz a fadiga, melhora o estado psicossocial e a qualidade de vida. Um estudo publicado em junho no New England Journal of Medicine avaliou 889 pacientes em tratamento de câncer colorretal. Eles foram divididos em grupos. Um recebeu somente orientações de atividades físicas e o outro foi submetido a um programa estruturado de exercícios.

Os participantes deste último apresentaram depois de cinco anos 28% menos riscos de a doença voltar. E após 8 anos, 37% menos chances de morrer por causa dela.
Apesar de concentrado no câncer de cólon, o estudo traz uma perspectiva otimista quanto aos reflexos da atividade física para outras formas da doença. E o Gustavo é a prova viva desta resiliência.

Aos 17 anos, o tatuador e triatleta Gustavo Teixeira recebeu o diagnóstico do linfoma de Hodgkin, o mesmo de Luana. Quinze anos depois veio a polineuropatia, uma disfunção de vários nervos. Reflexo do próprio tratamento oncológico: “Começou a travar a mão, começou a travar a perna. Eu não conseguia correr, não conseguia pular. Se eu fechasse a mão, ela demorava para poder abrir. Eu falei ‘ferrou, minha vida acabou’. E aí eu entendi que eu tive que ensinar um novo movimento para o corpo. Quando travava, eu esperava, fazia. E aí travava e fazia. Até que foi soltando. Falei: ‘bom, interessante. Então está dando certo’. E aí foi o que me trouxe o benefício de voltar a correr, pedalar, nadar... Coisa que eu nem imaginava que seria possível.”

Durante o tratamento, Gustavo conheceu Diego e passou a treinar para o triatlo com a equipe do fisiologista: “A gente precisa entender o volume, a intensidade, a frequência, o tipo de atividade que é correto para aquele indivíduo. Aí sim, ele vai colher bons frutos. Se eu passo ali de forma aleatória uma programação de treino, eu vou interferir no processo de recuperação dele do tratamento e aquilo pode não ser positivo.”

Depois de cinco meses, Gustavo completou sua primeira prova. E decidiu subir o sarrafo para disputar o evento mais exigente do triatlo: “Conversei com a minha médica, falei: “Ana, quero fazer o IronMan. O que a gente pode fazer para poder ver se é possível ou não?’. Porque eu sei que se começar a complicar, eu vou parar. Não quero ferrar o meu corpo, mas eu quero testar. Eu lembro que uma coisa que a minha irmã falou que me trouxe muita cura mesmo. Ela falou: ‘Gustavo, eu não lembro quando o câncer apareceu, mas eu vou me lembrar pra sempre do grito que você deu quando você passou lá no pódio de chegada’”.

Doe sangue. Seja grato. A perspectiva consciente de quem não se cansa de viver.
 

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Tags:  câncer esporte

Criado em 27/11/2025 - 22:50

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