Estamos na reta final do Campeonato Brasileiro e a definição das quatro equipes que serão rebaixadas para a Segunda Divisão se aproxima. Vocês sabem que eu fui contrário à anulação dos jogos que teriam tido interferência do árbitro Edílson Pereira de Carvalho. E que, por isso, achava por bem não rebaixar clube algum este ano, para não prejudicar ainda mais quem nada teve a ver com a história.
Pois bem: refeitas as contas, a zona de rebaixamento atual sofreria mudanças, mas não substanciais. O Paysandu seria o lanterna, com 35 pontos; depois viria o Brasiliense, com 37 (9 vitórias) e o Atlético Mineiro, com 37 (10 vitórias). O Coritiba continuaria com 42. O Figueirense ganharia duas posições, pois deveria ter 45 pontos em 12 vitórias, ultrapassando São Caetano e Flamengo. O Vasco ficaria com menos um ponto (48) e o Juventude não correria mais risco de cair, pois já devia ter 51. Vamos ver se isso se manterá até o fim, pois dessa forma, devo reconhecer, a anulação dos jogos em nada terá interferido no descenso.
Mas voltando ao título, não dá para imaginar o Flamengo na Segunda Divisão. Nem o Corinthians, para não dizerem que estou sendo passional. Outros dirão que Fluminense, Botafogo, Palmeiras, Grêmio e Bahia já passaram por lá. Mas como abrigar os 35 milhões de torcedores do Flamengo nos estádios onde são jogadas as partidas da Segundona?
É claro que a pergunta é uma provocação. O objetivo é mostrar que os atuais dirigentes estão de "brincadeira", como diria o Gérson, o Canhota. O Flamengo, assim como todos os clubes de PRIMEIRA que citei há pouco, não merece estar na Segunda Divisão. E falo isso em respeito à instituição. Mas os dirigentes que lutam por um cargo no clube, mesmo sem serem remunerados (fazem sempre questão de frisar isso), merecem o rebaixamento. Pena que eles não podem cair sozinhos.
Vamos fazer uma comparação com a dupla Fla-Flu, afinal o futebol daquele saiu do futebol desse. Enquanto o Fluminense tem uma massa consumidora de 9 milhões de torcedores, o Flamengo tem quase o quádruplo disso. A verba de TV do Flamengo é bem superior à do Fluminense, e o mesmo pode ser dito com relação ao patrocinador. Por que, então, um clube dá certo e o outro não?
O que a diretoria do Flamengo precisa entender é que o Flamengo não cabe mesmo na Segunda Divisão. E que os atuais pensamentos administrativos que tomam conta da Gávea estão ultrapassados. É preciso gente nova por lá, com outra mentalidade, pensando grande como o clube. Hoje futebol é negócio, movimenta, só no Brasil, 7 bilhões de dólares por ano. Amadores não têm mais espaço. E, pior, também não existe espaço para "profissionais" que se fazem passar por amadores.
No Sul Não posso terminar sem contar uma história. Há cerca de 20 dias recebi em meu email, aqui da TVE, dezenas de mensagens de torcedores do Grêmio me parabenizando por um artigo que eu teria escrito para a revista Placar, analisando o futebol gaúcho e a rivalidade Grêmio-Internacional. Relativamente bem escrito, o artigo, no final, concluía que a história gremista era superior à colorada.
Até o vice-presidente do Grêmio me ligou, dando os parabéns. Mas o texto não é meu e não sei quem fez, nem porquê. Nem porque me escolheu como autor. Dadas as explicações, lamentando não poder aceitar tanto carinho dos gremistas, chegou a hora das críticas. Até que demoraram, mas os torcedores do Inter vieram com tudo, dizendo que eu era persona non grata em Porto Alegre. E de novo as explicações, afinal não quero briga com ninguém.
É claro que, mal-entendidos à parte, fiquei lisonjeado. Entrei numa lista de "clonados" da internet da qual já fazem parte Luís Fernando Veríssimo e Arnaldo Jabor. Mas, ao mesmo tempo, preocupado. Essa tal de internet nos coloca assim, expostos, correndo riscos os mais diversos, sem ao menos sabermos os motivos. Portanto, cuidado, todos nós, com o que lemos em nossas telas de computador.
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