Eu gosto de matemática, estatísticas, números, mas entendo que tudo tem seu limite. Não faz muito tempo e o Flamengo não aparecia com chances, sequer, de conquistar uma vaga na Libertadores. E agora é o vice-líder, graças, aliás, a um tropeço contra o Goiás, quando tinha tudo para assumir a liderança. Mas o que não dá para entender é essa história de que o campeão deste ano será "fraco" - sim, foi este o termo usado. E quer dizer que o primeiro colocado somará menos pontos do que os campeões de anos anteriores.
Eu não concordo com isso. Se assim fosse, o Vasco, campeão da Série B, terá feito campanha muito melhor e mais empolgante do que São Paulo ou Flamengo se bem que, pela frieza dos números, até pode ser visto assim. E a Segundona terá sido de maior qualidade do que a Série A.
Um campeonato que reúne Adriano, Tardelli, Fred, Hernanes, Guiñazu, Petkovic, Conca, Paulo Henrique Ganso, Diego Souza e tantos outros, se não craques, mas certamente bons jogadores, não pode ser considerado de baixo nível. O fato de haver equilíbrio não quer dizer que a qualidade tenha diminuído. Que o digam os torcedores. Até a semana passada a média de público superava 17 mil pagantes, a sétima melhor da história do Campeonato Brasileiro, lembrando que, no passado, cabia mais gente nos estádios e a TV não transmitia tantos jogos, até para a cidade onde ele é realizado.
Dizer que o campeão será "fraco" é diminuir uma conquista que será das mais difíceis dos últimos anos. Ao longo do campeonato tivemos times que se destacaram e apresentaram um futebol empolgante. Ou já esqueceram do Avaí? E o Goiás, no começo do campeonato? O Palmeiras, que liderou por tanto tempo? E o Inter? O Atlético Mineiro? O Cruzeiro, líder do returno até bem pouco? E a arrancada do Fluminense? A do Flamengo?
Mas ficam na frieza dos números, na comparação com anos anteriores. E escrevo tudo isso mesmo sendo adepto dos jogos mata-mata. Mas não dá para concordar que este ano, com pontos corridos, a disputa está bem interessante, apesar de restrita, na ponta de cima, a apenas dois clubes. Mas valem as vagas para a Libertadores, e aí entram mais quatro equipes. Na ponta de baixo, se três já estão praticamente rebaixados, outros quatro lutam para não ser o dono da vaga restante. Ou seja, temos 13 equipes envolvidas nessas duas disputas, dentro do Brasileirão. Sem contar que para algumas outras, uma vaga na Sul-Americana já será uma grande conquista.
Não há nada de fraco em ser campeão este ano. Quem levantar a taça, mesmo com menos pontos do que outros campeões, terá feito uma campanha digna, em uma competição empolgante como há muito não se via por aqui.
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