Não consigo ver qualquer vantagem na criação de uma carteira de identificação do torcedor nos estádios. Se por um lado o Governo admite que a carteira de motorista seja utilizada como de identidade, reunindo foto, assinatura, CPF e RG, exatamente para facilitar a vida do cidadão, como agora resolve criar mais um documento? Ou é para ser perdido e obrigar o torcedor a ter mais uma despesa para a obtenção da segunda via ou é para complicar.
Se a intenção é a de também implantar, nos estádios, um leitor de impressão digital, por que não utilizar um sistema diretamente ligado ao do Instituto Félix Pacheco, devidamente informatizado, que identifique a digital do torcedor quando ele entrar no estádio? Não seria muito mais fácil e útil para toda a população? Pois este investimento poderia ser estendido às delegacias e, até mesmo, aos IML s de todo o país, que cansam de identificar pessoas como indigentes exatamente pela falta desta informação.
O dinheiro que se vai gastar com a confecção destas carteiras, não só de material como físico e de tempo das pessoas todo torcedor terá de se cadastrar, não é mesmo? deveria ser investido em algo que beneficiasse a todos, até mesmo quem nem está aí para o futebol. E ainda existe uma dúvida: será que uma simples carteira vai inibir o torcedor de brigar?
Não custa lembrar que as grandes brigas não acontecem mais nos estádios. Vamos pensar no Maracanã: há quanto tempo não vemos uma confusão lá dentro? No entanto, nas ruas próximas, e até mesmo em pontos mais distantes, os confrontos são bem mais comuns, inclusive com mortes. Outro dia mesmo fiquei sabendo, de integrantes de torcidas organizadas, que algumas brigas são recheadas de tiros e que é comum ficarem quatro ou cinco torcedores baleados, uma estatística que a imprensa nem tem acesso.
Em vez de implantar carteiras, o governo deveria investir na preparação da polícia, no setor de inteligência, na investigação desses criminosos em sites de relacionamento, que faturam com torcidas organizadas, para onde levaram as rixas das turmas do funk e das facções criminosas. A entrada do estádio é apenas a ponta final de tudo. O marginal tem de ser combatido lá fora, ele não deve nem ter o direito de se aproximar do estádio, ou melhor, das torcidas.
O torcedor de futebol é um passional, apaixonado pelo seu clube. Ele precisa ser preservado e incentivado a ir ao estádio. Ele não precisa ser fichado. O esporte necessita dessa paixão para sobreviver e não de medidas que tornem ainda mais difícil uma simples ida a um jogo de futebol.
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