Digite sua busca e aperte enter

Compartilhar:

O melhor do futebol

As pessoas me perguntam com um misto de curiosidade e um certo preconceito: Por que você, uma mulher, gosta tanto de futebol ?

O universo do futebol sempre fez parte da minha vida. Meu pai era técnico de futebol de salão. Ele comandou o Flamengo, o Bradesco, entre outros. Então, desde pequenininha lá estava eu, vendo os jogos, torcendo. Na época que ele treinou o Flamengo eu vivia lá... Adorava aquele lugar!

Rubro negro apaixonado, me ensinou a gostar do clube. Na época jogavam Zico, Leandro, Júnior. Lembro também da primeira vez que ele me levou ao Maracanã. Por incrível que pareça, não vi um jogo do Flamengo. Ele me levou para ver Fluminense x Bangu. Foi um dia tão mágico, que consigo até lembrar a roupa que estava vestindo.

Confesso que não entendi muito bem porque estava vendo um jogo do Fluminense, afinal nós éramos torcedores do Flamengo. Aí, ele me explicou: " Minha filha, você tem que ver o futebol como uma arte e o que vale é ver um bom espetáculo. Independente se Flamengo está em campo ou não." E ainda me disse: " quando jogava Santos de Pelé e Botafogo de Garrincha eu não perdia uma partida".

Uma grande lição. Não tive tanta sorte quanto ele. Não vi Pelé, muito menos Garrincha. Mas, nesse dia vi um jogo de qualidade com Romerito, Assis, Washington.. Aquele time do Fluminense era mesmo muito bom.

Depois disso, o Maracaña virou rotina. Íamos a quase todos os jogos. Vi Flamengo, Vasco, Botafogo. Passei a apreciar o bom futebol. Veio a Copa do Mundo. Via todos os jogos. Era um verdadeiro carnaval lá em casa. Vizinhos, amigos, todos reunidos. Acabei me encantando com o futebol de Maradona e Platini. No meio da competição ganhei um passarinho. Meu pai deu um nome: Tiganá.

Em homenagem a um jogador da França que parecia voar em campo.

A Copa acabou, Argentina campeã e Tiganá, meu passarinho, morreu.

Que tristeza! Outra lição do meu pai: você tem que aprender a conviver com a perda.

O leitor deve estar se perguntando: Aonde ela quer chegar?

Quero chegar justamente no Fluminense dos dias de hoje. Acredito que o time é um dos favoritos ao título. O Fluminense está jogando um futebol de encher os olhos. Hoje gosto mais de assistir aos jogos do Fluminense do que os do meu Flamengo. Razões óbvias, é claro. Não virei casaca, pelo contrário, uma vez Flamengo, sempre Flamengo. Mudar de time só é permitido quando somos crianças. Para um adulto isso é falta de personalidade. Não posso negar: tenho admiração e uma pontinha de inveja, porque o Fluminense está lá brigando pelo título. Isso sim é que é briga boa, enquanto o Flamengo luta a cada rodada para fugir da zona de rebaixamento. O Fluminense é um time que joga e deixa jogar. O toque de bola, a determinação, a ousadia. Além disso tem um craque que faz a diferença: Petkovic. Agora, mais do que nunca tenho que me acostumar com a saudade, a perda. Esse craque que está brilhando no Fluminense, no passado, já foi do Flamengo. Aquele gol de falta, ai que falta eu sinto de um jogador assim no Flamengo. Do tecnico Abel, Tuta, Felipe. Para um adulto isso tenho um apontinha de inveja porque esse elenco atual do Fluminense já passaram pela Gávea o técnico Abel, Tuta, Felipe, melhor párar de me lamentar...

Fica a lição do meu pai: o que vale mesmo é um bom espetáculo. E disso, por enquanto, não tenho do que reclamar.




Clique aqui para saber como sintonizar a programação da TV Brasil.

Criado em 30/09/2005 - 12:47 e atualizado em 30/09/2005 - 12:47

Últimas

O que vem por aí