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Será que dá para salvar o Brasileirão?

O Campeonato Brasileiro de 2005 acabou, perdeu a graça, não tem mais valor. De nada adianta anular 11 jogos que foram apitados pelo árbitro Edílson Pereira de Carvalho. Ao contrário, esta medida só faz tumultuar ainda mais a disputa e, principalmente, punir os clubes, envolvidos ou não diretamente nas partidas. Todos eles estão sendo afetados por esta medida. Já que não dá para manter os resultados (que para mim seria a melhor opção), nem parar o campeonato até que tudo seja devidamente apurado, só resta uma triste alternativa: que, ao menos, não exista rebaixamento em 2005. Os clubes não podem pagar esta conta.

A pressa do STJD e da CBF em anular os jogos teve o claro interesse de demonstrar que o Brasileirão é sério e evitar prejuízos financeiros venda de pay-per-view, por exemplo. Não é por aí. O fato de o árbitro ter assumido a culpa não garante que ele será condenado pela Justiça. Além do mais, as súmulas estavam corretas e ela é o documento oficial de uma partida. E, quando as fez, o tal árbitro estava "protegido" pela CBF, era membro do quadro, inclusive da FIFA. Ou seja, se errou, foi por conta própria e os clubes nada tiveram a ver com o fato. Pior: agora, até o presidente do STJD está sendo contestado, pois, juridicamente, não poderia estar ocupando a função, por ser desembargador. O problema começa até em quem julga.

Voltemos no tempo, até 2000, final do Campeonato Brasileiro (já organizado a partir de uma virada de mesa no ano anterior, com o caso Sandro Hiroshi, que devolveu ao Fluminense e ao Bahia o direito de disputar a Primeira Divisão). O Vasco recebe o São Caetano e o alambrado cai, em São Januário, ferindo 139 pessoas. O que dizia o regulamento no artigo 8º: se o clube mandante fosse considerado culpado pela paralisação do espetáculo, seria declarado perdedor pelo placar de 1 a 0. O STJD esperou pela Justiça? Claro que não. E, como agora, agiu rápido e marcou outro jogo. E o Vasco foi campeão. Mas a Justiça o Ministério Público Federal - condenou o clube pelo acidente e quatro vítimas foram indenizadas com R$ 33 mil. E aí? Devolveram o título ao São Caetano? Ou descumpriram o regulamento?

A pressa foi inimiga da perfeição e está sendo de novo. Quem perdeu nos jogos anulados poderá recuperar os pontos, terá essa chance. Quem ganhou corre risco de ser prejudicado na tabela. Dois jogos foram apontados pelo Edílson como sem intervenção dele e mesmo assim foram anulados. Podemos chegar ao final do campeonato com o Internacional, por exemplo, um ponto atrás do primeiro colocado, ponto perdido no jogo anulado que ele não conseguiu vencer de novo. E então? Qual foi a culpa do Inter no episódio? E podemos ter o Vasco entre os rebaixados, por ter perdido os pontos da vitória sobre o Figueirense. Quem vai pagar esse prejuízo?

É evidente que ser campeão brasileiro é a meta de todos, mas ficar entre os quatro primeiros colocados já garante a vaga na Libertadores, o que não deixa de ser um bom prêmio. No entanto, na ponta de baixo, cair significa um ano na Segunda Divisão, com cotas menores, crise, desespero da torcida. Se não devemos "melar" o campeonato com o que eu concordo -, ao menos que se muda a regra e não se tenha rebaixamento. Não será uma virada de mesa, mas sim uma prevenção a um mal maior que poderá ser feito aos clubes, que nada tiveram a ver com a corrupção da arbitragem.




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Criado em 21/10/2005 - 12:46 e atualizado em 21/10/2005 - 12:46

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