Os dois homens que foram vítimas de uma quadrilha de tráfico humano em Mianmar, no sudeste asiático, chegaram ao Brasil na tarde dessa quarta-feira (19/2). Eles foram atraídos por uma suposta oportunidade de emprego, mas eram forçados a trabalhar em uma central que aplicava golpes no mundo todo e sofriam tortura.
Phelipe Ferreira e Luckas Santos foram recebidos pelos pais no aeroporto de Guarulhos, em São Paulo. Relataram às famílias a rotina de torturas sofrida, com choques elétricos, pauladas e outras agressões. A viagem de volta ao Brasil durou mais de 24 horas. Mas eles só puderam se reencontrar com os familiares duas horas depois, porque antes tiveram que prestar depoimento à Polícia Federal.
Phelipe conta como foi a tentativa frustrada de fuga. “A gente bolou o plano, só que nesse plano a gente tinha que escalar três montes e correr mais vinte e dois quilômetros para tentar cruzar o rio para chegar na Tailândia. Eu consegui escalar um monte. Mas no terceiro monte veio um guarda com uma faca e me mandou voltar”, relata.
Os brasileiros foram resgatados com a ajuda de uma ONG internacional, que faz um alerta sobre o perigo do tráfico de pessoas, hoje o terceiro crime de maior ocorrência no mundo. “Duvidem de propostas encantadoras, de empregos que venham por mídia social, que não tem informação de empresa, que seja um convite para ir para o exterior, que vai ter moradia, viagem paga, desconfiem. Não existe, não existem propostas tão boas assim”, explica Cintia Meirelles, diretora da ONG The Exodus Road Brasil.
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