A União Europeia e o Canadá prometeram uma resposta firme às tarifas dos Estados Unidos sobre o aço e o alumínio, anunciadas pelo presidente Donald Trump. Já o México pediu que os Estados Unidos não destruam as relações comerciais entre os dois países.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, advertiu que as tarifas não ficarão sem resposta e prometeu medidas firmes e proporcionais.
Na segunda-feira (10), Trump determinou a adoção de tarifas de 25% sobre as importações de aço e alumínio, que entrarão em vigor em 12 de março. Entre os possíveis alvos da União Europeia em retaliação às tarifas americanas estão motocicletas, jeans, manteiga de amendoim, bourbon e uísque, segundo o Comitê de Comércio do Parlamento Europeu.
Na Alemanha, a maior economia da União Europeia, o chanceler Olaf Scholz disse ao Parlamento que, se os Estados Unidos não deixarem outra escolha, a União Europeia reagirá unida e acrescentou que “guerras comerciais sempre custam prosperidade a ambos os lados”.
O primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, disse que seu país responderá de forma firme e clara à imposição tarifária. O Canadá é o principal fornecedor de aço e alumínio para os Estados Unidos.
Já o México, outro importante fornecedor de aço, pediu a Washington que “não atire no próprio pé, destruindo a relação que os dois países construíram nos últimos 40 anos”.
A Coreia do Sul, outro país muito afetado pelas tarifas americanas, optou por uma postura mais conciliadora e disse que pretende construir uma relação próxima com Trump e ampliar suas opções diplomáticas. Trump já havia mencionado a possibilidade de impor tarifas a outros setores sensíveis para os sul-coreanos, como os semicondutores e as áreas automotiva e farmacêutica.
Já a China, que domina a indústria global de aço e alumínio, disse que, para Pequim, não existe um vencedor em uma guerra comercial ou alfandegária. Na semana passada, Trump impôs uma tarifa de 10% sobre todas as importações chinesas. O país, no entanto, não exporta grandes quantidades de aço ou alumínio diretamente para os Estados Unidos.
Em resposta às tarifas americanas, a China anunciou que retaliaria com tarifas sobre gás natural liquefeito, carvão, máquinas agrícolas e outros produtos americanos.
Impacto no Brasil
O que se tem de concreto até agora é que essa nova tarifa de 25% sobre o aço e o alumínio importados pelos Estados Unidos deve passar a valer em março. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, sob comando do vice-presidente, Geraldo Alckmin, está organizando as informações sobre a decisão do governo norte-americano. Essa análise dos impactos na economia brasileira será levada ao presidente Lula.
Na terça-feira (11), a Confederação Nacional da Indústria (CNI) se pronunciou e disse que a decisão de Donald Trump atinge diretamente a indústria brasileira. A confederação ressaltou ainda que o Brasil não representa uma ameaça comercial aos Estados Unidos e que serão negociadas alternativas para reverter a elevação das tarifas.
Na mesma linha, o Instituto Aço Brasil disse que está confiante na abertura de diálogo entre os governos dos dois países, assim como ocorreu em 2018, quando foram negociadas cotas para exportação brasileira no mercado norte-americano.
Ontem também, ministros do governo Lula destacaram que uma guerra comercial não faz bem para a economia de nenhum país e que a ideia agora é negociar. Segundo o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, o governo brasileiro tem esse espaço de negociação com base nas diretrizes do G20, grupo das maiores economias do mundo. Haddad informou ainda que deve se reunir com os setores afetados pelo tarifaço após voltar da viagem que fará ao Oriente Médio nos próximos dias.
Clique aqui para saber como sintonizar a programação da TV Brasil.