O Papa Francisco, morto nesta segunda-feira (21) aos 88 anos, era considerado o papa dos pobres, da inclusão e das lutas por justiça social. Nascido Jorge Mario Bergoglio, ele foi o primeiro papa não europeu em 1,2 mil anos, e o primeiro latino-americano.
Bergoglio era argentino, e adotou o nome de Francisco tendo como referência São Francisco de Assis, o santo conhecido pela humildade e pelo cuidado com os pobres.
“O meu povo é pobre e eu sou um deles”, disse o Papa Francisco, ao explicar a opção de troca do apartamento no Vaticano por um quarto comum no convento de Santa Marta. Essa modéstia vinha dos tempos do arcebispado que exerceu em Buenos Aires. Morava com simplicidade, cozinhava a própria comida.
Locomovia-se de ônibus e metrô, convivia com o povo e os problemas que o afligia. Aos sacerdotes, recomendava misericórdia, coragem apostólica e portas abertas para todos.
Filho e neto de imigrantes italianos, Francisco nasceu na capital Argentina em 1936. Desde cedo identificou-se com a fé cristã, mas teve uma juventude normal. Até apaixonou-se por uma moça com quem quis casar.
Após o ensino médio, formou-se numa escola técnica de química e foi estudar filosofia num seminário jesuíta. Deu aulas de literatura e psicologia até ordenar-se sacerdote em 1969. Foi um religioso com formação intelectual. Dedicou-se à teologia, falava cinco idiomas e fez doutorado em filosofia na Alemanha.
Em 1992, ele foi designado bispo auxiliar de Buenos Aires. Em 1998, Arcebispo primaz da Argentina. E em 2001, após um intenso trabalho de pastoral dedicado aos pobres com denúncias às injustiças sociais, Francisco foi nomeado cardeal.
Com a morte de João Paulo II em 2005, o futuro papa participou do conclave que escolheu Bento XVI. Após a renúncia, um novo conclave no Vaticano, em 2013, escolheu Francisco para sucedê-lo.
Um papado progressista
Iniciava-se um papado diferente dos dois antecessores, marcados pelo conservadorismo. Francisco flexibilizou posições da igreja, adotou uma linha mais progressista, modernizou instituições, reformou o Banco do Vaticano. atingido por escândalos financeiros.
Teve mão firme com sacerdotes acusados de abusar de menores, aprovou uma reforma no Código Penal da Santa Sé e reforçou sanções contra crimes sexuais.
Francisco também foi o primeiro papa a trazer a questão ecológica para o centro das preocupações religiosas. Também cobrou ações para reduzir a pobreza no mundo e pediu a flexibilização das políticas imigratórias para que refugiados fossem melhor recebidos nos países ricos.
Francisco trabalhou ainda pela reaproximação entre os Estados Unidos e Cuba, com a qual restabeleceu relações após décadas de divergências. Mas ele também manteve-se ortodoxo em relação a alguns pontos, entre os quais o aborto, métodos contraceptivos e a homossexualidade.
Carisma e futebol
Em 2013, o Papa Francisco esteve no Brasil para o Congresso Mundial da Juventude, realizado no Rio de Janeiro. Carismático, encantou os brasileiros durante os dias em que aqui permaneceu.
Francisco foi um papa sintonizado com as grandes questões mundiais, ao mesmo tempo em que fez questão de manter-se na simplicidade. Foi um pontífice com gosto, como os dos homens comuns. Era um amante do bom futebol, torcedor apaixonado do San Lorenzo.
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