Nesta terça-feira (27) durante audiência pública no Senado, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, foi atacada enquanto falava sobre a criação das reservas extrativistas no Amapá. O tratamento dado à ministra continua gerando críticas.
A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, considera inadmissível o comportamento dos senadores. O Ministério das Mulheres considerou o episódio muito grave, lamentável, além de misógino. Anielle Franco, ministra da Igualdade Racial, comentou que a violência política de gênero e raça tenta calar mulheres todos os dias. O ministro da Advocacia-Geral da União, Jorge Messias, afirmou que não se pode tolerar atitudes que busquem constranger, intimidar ou deslegitimar mulheres em espaços de poder.
Marina Silva havia sido convidada para explicar a criação de unidades de conservação marinhas na região da Margem Equatorial Norte e a demora na liberação de licenças ambientais, a ministra foi alvo de declarações misóginas do presidente da comissão, senador Marcos Rogério (PL-RO).
Em sua fala, Marcos Rogério disse que a ministra “se ponha no teu lugar”. Após mais de três horas de debates acalorados, a ministra Marina Silva recebeu um novo ataque, dessa vez do senador Plínio Valério (PSDB-AM). Em sua fala, o senador disse que falava com a ministra e não com a mulher, pois a mulher merecia respeito, a ministra, não. Após as declarações, a ministra exigiu que o senador Plínio se retratasse. E disse que se retiraria da sessão caso isso não acontecesse.
Ao ter a negativa do senador, Marina Silva deixou a audiência pública. Já do lado de fora, ela comentou os ataques recebidos. “Estou aberta ao debate, ao diálogo. Agora, o que não pode é alguém achar que, porque você é mulher, porque você é preta, porque você vem de uma trajetória de vida humilde, que você vai dizer quem eu sou e, ainda, dizer que eu devo ficar no meu lugar. O meu lugar é onde todas as mulheres devem estar”, afirmou ela.
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