A empreendedora, formada em jornalismo, Rosana Fernandes cresceu na periferia do Rio de Janeiro, se especializou em gestão de negócios e conta que teve que romper com as barreiras do preconceito para conquistar seu espaço no mercado de trabalho.
“Na minha primeira entrevista de emprego, para estágio — ainda lá no ensino médio — era um escritório de Direito, uma das áreas mais difíceis de serem acessadas por pessoas negras, mulheres negras em especial. E aí eu fui rejeitada pela vaga. Eu tinha boas notas, fui bem no exame de redação e tudo mais, mas fui rejeitada por conta do meu cabelo. Eu usava tranças, na época”, lembra Rosana.
Dados do Sebrae apontam que o Brasil hoje tem cerca de 52 milhões de empreendedores. Desses, 32 milhões são mulheres. Entre as empreendedoras, 48% são negras, e a grande maioria trabalha por conta própria.
“Oito a cada dez empresas não empregam mulheres negras em posições de liderança. Ao mesmo tempo em que essa percepção do racismo segue muito forte, a mesma pesquisa mostra que 96% das pessoas que participaram percebem barreiras físicas, estruturais e relacionadas a quem está na posição de gestão, o que dificulta que essas pessoas negras ascendam a posições de diretoria, gerência e liderança à frente das organizações”, ressalta Rosana.
Para atender às demandas dessas mulheres negras, nasceu o Pacto das Pretas. O Pacto surgiu com o compromisso de potencializar mulheres negras e evidenciar os desafios enfrentados por elas no mercado de trabalho.
“É fazer com que mulheres negras sejam olhadas para além de serem empregadas domésticas. A gente tem uma questão no Brasil, ainda muito importante, que se perpetua por conta da colonização: mulheres negras não são consideradas para posições estratégicas, em geral. Existe ainda um ranço histórico que precisa ser olhado — e olhado com muita atenção”, destaca Juliana Kaiser, do departamento de Equidade Racial da UFRJ.
“Quando a gente para pra observar o ganho das empresas, o ganho das organizações, na inclusão da diversidade, e principalmente de mulheres negras, que são multifacetadas. Que estão desde a nossa origem ancestral pensando soluções sistêmicas, pensando em soluções que são bem mais criativas, né? Tem uma pesquisa da XP que mostra que empresas — fundos internacionais que investiram em mulheres negras — renderam mais de 34% nos últimos 12 meses.
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