O anúncio feito nesta quarta-feira (9/7) pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que os produtos brasileiros serão taxados em 50%, repercutiu em Brasília. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse que a decisão do americano é eminentemente política, pois não parte de nenhuma racionalidade econômica.
Já no Congresso Nacional, as manifestações se dividiram entre condenar a taxação e culpar o governo federal. Parlamentares da oposição argumentaram que a medida de Trump é culpa da falta de diplomacia e da atuação do ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, na ação de tentativa de golpe de estado.
Já a base do governo avalia que Donald Trump tenta interferir na soberania brasileira ao citar o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no STF como justificativa para sobretaxar o país. Também afirmam que a medida foi articulada pelo deputado licenciado Eduardo Bolsonaro, além de ferir os acordos internacionais e ser uma reação à atuação do Brasil nos Brics. Até agora os presidentes da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, e do Senado, David Alcolumbre, não se manifestaram.
Em entrevista ao Centro de Estudos Barão de Itararé, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse não acreditar que a medida vai se manter por não ter lógica econômica. O ministro destacou que a decisão representa uma ruptura inexplicável de uma relação diplomática de dois séculos e que o saldo do comércio brasileiro com os americanos é positivo para os Estados Unidos em mais de US$ 400 bilhões, acumulados nos últimos 15 anos. O ministro ressaltou que setores produtivos já procuraram o presidente Lula para tratar do assunto.
“É uma agressão que vai ficar marcada como uma coisa inaceitável e inexplicável. Um governo entrar na onda de um político extremista local para atacar um país, 215 milhões de habitantes. Temos que neste momento estarmos unidos. O setor produtivo, com o agro, com a indústria paulista, que é a mais afetada. Não podemos discriminar ninguém nesse momento, pelo contrário. Os setores já estão procurando o presidente Lula e eu quero crer que esse tiro no pé vai ser revertido porque ele é insustentável”, disse Haddad.
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