A escritora Ana Maria Gonçalves foi eleita, na quinta-feira (10), para a Academia Brasileira de Letras. Ela recebeu 30 dos 31 votos possíveis. Ana Maria é a primeira mulher negra a fazer parte da instituição, fundada em 1897.
Ana Maria Gonçalves conta que estava em uma livraria quando um exemplar de Bahia de Todos os Santos, de Jorge Amado, caiu no seu colo. “A Bahia te espera para sua festa cotidiana”, dizia o prólogo. A então publicitária, mineira de Ibiá, atendeu ao chamado. Deixou pra trás a vida em São Paulo e partiu para a Ilha de Itaparica, onde assumiu a escrita como ofício e começaram as pesquisas para Um defeito de cor.
“Era um livro que muita gente, há muito tempo, já queria ter lido. Pra entender de onde a gente vem, qual a nossa história, o que de história nos foi negado ao longo desses anos.”
A obra monumental, com quase mil páginas, publicada em 2006, é tida hoje pelos críticos como uma das mais importantes da literatura brasileira. O livro conta a história de Kehinde, personagem inspirada em Luísa Mahin, uma das líderes da Revolta dos Malês. O levante de escravizados de maioria muçulmana que aconteceu em 1835, em Salvador, e foi duramente reprimido. Luísa seria mãe do advogado abolicionista Luís Gama, que nasceu livre, mas foi vendido pelo próprio pai como uma dívida de jogo.
O romance histórico atravessa todo o século XIX, narrando uma história de luta, exploração, racismo e resistência. Ganhador do prêmio Casa de las Américas, Um defeito de cor foi enredo da Portela no carnaval do ano passado e tema de uma exposição concebida pelo Museu de Arte do Rio.
Aos 55 anos, Ana Maria Gonçalves vai ocupar a cadeira de número 33 na ABL, que pertenceu ao escritor Raul Pompeia e, mais recentemente, ao professor e gramático Evanildo Bechara, morto no mês de maio.
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