Três em cada quatro pessoas consideram o Brasil um país muito desigual. O dado é um dos resultados de uma pesquisa chamada "Percepções sobre a desigualdade no Brasil", que se acentuam de acordo com classe social, gênero, raça e região do país de cada entrevistado.
A pesquisa feita pela Fundação Itaú mostra como os brasileiros enxergam uma desigualdade que faz com que os 10% mais ricos detenham quase 60% das riquezas do país. Menos da metade dos entrevistados veem o passado escravagista do Brasil e sua relação com o racismo como uma das causas das desigualdades atuais.Boa parte das pessoas atribui a desigualdade à corrupção e à impunidade.
“As pessoas negras conseguem reconhecer mais a importância dos fatores históricos, mas, contudo, os fatores históricos são os menos citados pela população. Então, pra gente acende um alerta também do quanto é importante sensibilizar, refletir e informar a sociedade sobre a importância dos fatores históricos [na formação dessas desigualdades]. Só reconhecendo as verdadeiras causas é que se consegue pensar em estratégias para combater as desigualdades”, defende Alan Valadares, coordenador do Observatório Fundação Itaú.
Oito em cada dez brasileiros acreditam que o investimento em educação é um dos principais caminhos para reduzir as desigualdades. Porém, as diferenças de renda e oportunidades têm raízes profundas e exigem esforços em diversos sentidos para serem superadas.
“Eu acho que tem que ser um conjunto de ações intersetoriais, que passa pela educação, passa pelo acesso à arte e à cultura, que passa pelo acesso à moradia, ao saneamento básico, à saúde e à assistência social. Então, eu acho que a gente não pode mais olhar para os problemas de forma fragmentada. A desigualdade mostra que é preciso uma união de esforços, e aí não só do poder público, mas também da sociedade”, acredita Carla Chiamareli, gerente do Observatório Fundação Itaú.
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