No Maranhão, as mãos que constroem embarcações ensinam uma matemática nascida da experiência - e agora revelada por uma pesquisa da Universidade Federal do estado (UFMA). Além de preservar a memória dos mestres carpinteiros, o estudo busca levar esses saberes para dentro das escolas.
As embarcações que navegam nas águas do Maranhão carregam muito mais que pescadores. Carregam histórias, técnicas e experiências acumuladas à geração, como reforça o mestre carpinteiro naval e professor Otávio Nogueira: “eu aprendi lá em Cururupu, com o meu pai de criação, o Zótico Borges, que ele era filho de um carpinteiro também, já chegou a falecer e deixou o aprendizado pra ele e mais três irmãos. E ele passou essa profissão pra mim e os outros irmãos meus de criação”.
O ofício do mestre Otávio foi o objeto de pesquisa da professora de matemática da UFMA Rayane Melo. O estudo revela que o trabalho dos mestres carpinteiros navais traz, além da técnica, uma matemática própria nascida da experiência e da observação.
“A gente olha uma embarcação e às vezes pensa que não tem ali conhecimentos matemáticos, mas desde a definição do comprimento até a implementação da vela, tudo é saber matemático. Só que essa matemática não é aquela acadêmica que a gente vê na universidade. É a matemática própria do grupo cultural que foi desenvolvido dentro desse contexto”.
No Estaleiro Escola, tradição e ciência se encontram. É neste espaço que mestres carpinteiros, como o mestre Otávio, ensinam técnicas de construção naval que carregam século de história e muita matemática.
“Na disciplina matemática eu era o pior aluno. Mas aqui nas embarcações, a matemática cola perfeitamente. Hoje pra mim é muito fácil medir uma embarcação, usar a matemática que eu aprendi na cabeça e botar dentro do meu trabalho e passar para os meus alunos”, diz Otávio.
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