Neste 15 de outubro, Dia do Professor, falamos sobre eles, uma das categorias mais importantes de qualquer nação e que, muitas vezes, têm seus problemas invisibilizados. A saúde mental dos nossos professores requer atenção. Uma pesquisa da Universidade de São Paulo, em parceria com o Sindicato dos Professores e Funcionários Municipais de São Paulo, mostrou um cenário desafiador em sala de aula, com altos índices de estresse, ansiedade e depressão.
Uma professora da rede municipal de São Paulo, que prefere não se identificar, está afastada por ansiedade relacionada ao trabalho. Ela sofreu sucessivas situações de violência.
“Tem casos também, recentemente, de algum que jogou borracha, jogou papel, a ponto de eu não dar as costas para os alunos na sala de aula. Chegou um ponto que eu não conseguia mais entrar na sala de aula. É uma somatória de coisas, é uma somatória dos anos, que fez com que eu me adoecesse”, relata ela.
A pesquisa ouviu mais de 2.500 professores da rede pública: 62% deles disseram ter sofrido violência no ambiente escolar. A violência verbal é a mais comum, acompanhada, muitas vezes, por ameaça e intimidação. Cerca de 3% dos professores disseram também ter sofrido violência física.
“Mais de 40% relataram, em algum momento, ter tomado remédio psiquiátrico. Então, isso é extremamente preocupante. Quem está educando, quem está cuidando da população de São Paulo, são esses profissionais da educação. Então, precisa haver um movimento de cuidado com esses profissionais, e o que os resultados mostram é um quadro de esgotamento generalizado”, diz a pesquisadora e doutoranda da FSP-USP, Luciana Santos da Cunha.
Ainda segundo o estudo, 63% dos professores ficaram afastados do trabalho por algum período do ano passado por motivo de saúde. As doenças mais citadas foram pressão alta e problemas ortopédicos. Com relação às doenças mentais, 85% dos professores disseram ter sofrido algum transtorno.
Em nota, a Secretaria Municipal de Educação de São Paulo afirma que o número de licenças médicas de professores diminuiu 16% no primeiro semestre deste ano, na comparação com o mesmo período do ano passado, e que promove iniciativas para acolhimento de servidores, como um programa com mais de 300 profissionais capacitados para atender demandas de saúde mental.
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