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RJ: Exposição liga passado e presente do Brasil com a escravidão

Repórter Brasil Tarde

No AR em 20/11/2025 - 12:45

Um passado que não passa. Uma liberdade batalhada, exigida. Muitos reflexos da escravidão permanecem vivos ainda hoje em nossa sociedade.  Para entender o racismo e a desigualdade, é necessário olhar para trás. Uma exposição em cartaz no Museu Histórico Nacional no Rio de Janeiro cria essas pontes entre o passado e o presente, o Brasil e o mundo.

Foram mais de três séculos de escravidão no Brasil e um longo processo de resistência. A história de opressão que deixou cicatrizes por aqui também se repetiu além de nossas fronteiras.

“O processo de colonização que usou a escravidão racial como objetivo de ter mão de obra nesses países, nesses territórios colonizados. Esse é um processo global atlântico”, afirma Cícero de almeida, diretor do Museu Histórico Nacional. “Não é uma história isolada, ela uma história que monta o capitalismo contemporâneo. É uma empreitada colonial que não acabou”. 

A curadora da exposição Keila Grinberg, fala da ligação com o presente do país: “ainda hoje a gente enfrenta as consequências do racismo, as consequências dessa sociedade criada pela escravidão. E a gente precisa entender isso para que a gente possa superar o racismo nessa sociedade, superar a desigualdade coletivamente”. 

Peças históricas e movimentos recentes

A luta pela liberdade pode ter muitos símbolos. A algema usada em pessoas escravizadas é um exemplo que compõe a mostra, como detalha o diretor do museu. “Algemas que uma empresa inglesa fabricava no século XVIII, final do XVIII, para algemar os escravizados, essa mesma empresa existe até hoje, produzindo mesmas algemas para prisioneiros”, diz. 

“São peças que elas se relacionam a essa tragédia, esse crime que foi o tráfico atlântico de africanos escravizados. Mas elas também representam a força e a resistência dessas pessoas aqui no Brasil”, completa a curadora.

Do preconceito contemporâneo, passando pelo movimento Vidas Negras Importam, até a atuação de Marielle Franco, os fatos históricos estão na exposição Para Além da Escravidão, que reúne acervos de museus da Inglaterra, África do Sul, Bélgica, Senegal e Brasil.

Entre as peças históricas está essa balança do século XVIII, encontrada em uma fazenda portuguesa na Bahia. Algumas fontes sugerem que ela era usada na precificação e pesagem de pessoas escravizadas.

Conhecer a memória trazida pela exposição é ter a possibilidade de entender uma série de fenômenos que se repetem ainda hoje. “Poder acompanhar o movimento de pessoas negras no agora, nos Estados Unidos, na América Latina, no Caribe, dá pra gente uma perspectiva global, também, das várias formas de sermos pessoas negras no mundo”, avalia Giovana Xavier, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

A professora de história e coordenadora pedagógica Janete Santos Ribeiro falou do desafio de trazer essa realidade à tona: “essa memória está submersa na alma dos brasileiros e das brasileiras e do mundo todo, da diáspora, e ela precisa emergir. E aí o nosso desafio é: como a gente faz emergir essas histórias”.
 

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Criado em 20/11/2025 - 14:55

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