A Unesco acaba de lançar um museu virtual com um acervo de objetos que foram saqueados ou retirados de suas origens. A iniciativa quer chamar a atenção para o comércio ilícito de bens culturais, uma atividade antiga, lucrativa e criminosa.
O Museu Virtual de Objetos Culturais Roubados é precursor na reparação de um patrimônio tirado de mais de 50 países. São 240 objetos culturais removidos do contexto original ou desaparecidos, e que agora podem ser acessados online.
Alguns dos itens roubados foram recriados em 3D por meio de inteligência artificial. É o caso de uma lápide da Turquia esculpida no século XV, com influências persas na caligrafia.
O museu é uma iniciativa do arquiteto burquinense-alemão Francis Kéré, com apoio da Arábia Saudita e parceria da Interpol. Ele recebeu o Prêmio Pritzker, tido como a maior honraria da arquitetura mundial.
O design do projeto foi inspirado na árvore baobá, símbolo de vida em comunidade com patrimônio compartilhado. A reunião desses objetos é considerada um marco na luta global contra o tráfico ilícito de bens culturais.
A coleção também aponta para a necessidade de políticas mais robustas de proteção aos bens culturais e fortalece a agenda da cooperação para restituir esses bens ao lugar a que pertencem.
Objetos do Brasil
Entre os objetos roubados do Brasil que estão no museu está o diadema Akangatar, originário de Belém do Pará. A peça é feita com as penas da cauda do pássaro japu, uma ave rara encontrada nas florestas tropicais.
O cocar pertence aos indígenas da etnia Ka’apor, e é mais que um adorno. Para seus donos, o objeto é um elo sagrado que une gerações. O diadema está na lista de bens museológicos do Brasil que ainda são procurados.
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