Sete em cada dez líderes de religiões de matriz africana relatam ter sofrido ameaças ou destruição de objetos sagrados e 97% deles dizem conhecer o racismo religioso. É o que comprova um estudo inédito, intitulado "Respeite o meu Terreiro", realizado pela Rede Nacional de Religiões Afro-Brasileiras e o terreiro Ilê Omolu Oxum, de São João de Meriti, na Baixada Fluminense.
O levantamento contou com a participação de líderes religiosos de 511 terreiros em todo o Brasil. Teve a parceria de instituições como a Defensoria Pública da União (DPU), o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) e a Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UFRJ).
Entre os representantes de diversas vertentes das religiões de matrizes africanas, 74% dos entrevistados relataram ameaças ou destruição de objetos sagrados; 97% disseram conhecer o racismo religioso; 77% afirmaram já terem sido vítima de preconceito religioso. O percentual dos que conseguem registrar formalmente a agressão é baixo: apenas 26% fizeram um boletim de ocorrência, o que revela obstáculos no acesso à justiça.
A internet e as redes sociais foram apontadas por 52% dos entrevistados como ambientes de ocorrência do racismo religioso. Cerca de 87% dos casos ocorrem em ambientes virtuais, como Facebook, Instagram, YouTube, TikTok e a rede social X.
As vítimas também identificaram os principais agressores. A maioria, 59% dos ataques, vem de evangélicos. Na sequência, são citados servidores públicos, vizinhos e usuários de redes sociais.
Povos de terreiro e comunidades quilombolas são patrimônio imaterial brasileiro. Eles preservam saberes ancestrais de medicina natural, agricultura tradicional, música e relações comunitárias. Culturas milenares transmitidas pela oralidade que sobreviveram à barbárie da escravidão.
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