O vaqueiro Marcos Antônio da Cruz, de 38 anos, que dava apoio a uma ação do Ibama, ordenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), para expulsar invasores de uma terra indígena no Pará, foi morto, na segunda-feira (15), em uma emboscada. A Polícia Federal investiga o caso.
Ele foi baleado na altura do pescoço por volta das duas horas da tarde, numa ação de retirada de gado ilegal da Terra Indígena Apyterewa, em São Félix do Xingu, no sudeste do Pará.
A equipe do Caminhos da Reportagem e o fotógrafo da Agência Brasil, Bruno Peres, acompanharam uma parte da operação a convite do Ministério dos Povos Indígenas e tinham saído de lá na manhã de segunda-feira.
Da operação de retirada de gado participam, além do Ibama e do Ministério dos Povos Indígenas, a Funai, a Abin, Força Nacional, Agência de Defesa Agropecuária do Pará, as polícias Militar e Civil do Pará. É uma ação complexa, porque esse gado está em áreas da mata por onde não é possível chegar de carro, às vezes nem de quadriciclo.
Os vaqueiros contratados pelo Ibama tocam o gado até a base da Funai, onde é embarcado. O rebanho é levado para uma fazenda a cargo da Agência de Defesa Agropecuária do Pará. E depois passa por uma triagem. Uma parte fica de quarentena e outra vai para o abate. A carne só pode ser destinada a ações sociais, como merenda escolar, por exemplo.
A operação obedece a uma determinação do STF, que ordenou a retirada de invasores de nove terras indígenas. Da TI Apyterewa, em outubro de 2023, foram retirados invasores que criavam 60 mil cabeças de gado e cultivavam cacau ilegalmente no território. Apyterewa foi a terra indígena mais desmatada entre 2018 e 2022 por conta dessas atividades.
Apesar de os produtores rurais já terem sido retirados da área, o Ibama detectou mais de 40 pontos onde ainda há bovinos. Alguns não-indígenas continuam tentando entrar para manejar esse gado e vêm fazendo atentados contra os indígenas e contra os agentes do Estado. Um funcionário da Funai chegou a ser baleado no ano passado.
Além de disparar, esses invasores queimam pontes e também deixam estruturas pontiagudas nas estradas, para furar pneu dos carros oficiais.
Nota de pesar
O Ibama disse que lamenta profundamente o ocorrido, manifesta solidariedade aos familiares e amigos da vítima e informa que está prestando o apoio necessário à família neste momento de dor. O Instituto reafirma seu compromisso com o cumprimento das decisões judiciais, a proteção das terras indígenas e a atuação integrada com os demais órgãos públicos, repudiando qualquer forma de violência contra agentes públicos e pessoas que colaboram com as ações do Estado.
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