Organismos internacionais de direitos humanos vão acompanhar o julgamento, no Supremo Tribunal Federal (STF), dos acusados de serem os mandantes do assassinato da vereadora carioca Marielle Franco e do motorista dela, Anderson Gomes. O crime ocorreu em março de 2018, na região central do Rio de Janeiro, e o julgamento está previsto para o fim de fevereiro.
O pedido de acompanhamento foi feito pela família de Marielle.
Ameaças seguem
A violência política de raça e gênero ameaça a vida de uma outra representante da sociedade fluminense. Há alguns dias, a deputada estadual do Rio de Janeiro, Renata Souza (Psol), foi alvo de uma das ameaças mais violentas que já recebeu.
“Veio com um tom de como seria a minha morte. Então, ele traz, ou eles trazem, termos como estupro, estupro coletivo, e falam também que, depois disso tudo, iam cortar minhas partes íntimas para expor para os membros do coletivo”, conta a vereadora.
Desde o primeiro dia de mandato, em janeiro de 2019, e já são sete boletins de ocorrência registrados com as mais graves.
Intimidar, tentar calar, impor medo, atacar e até matar. A violência política de gênero se manifesta de muitas formas, mas o objetivo final costuma ser o mesmo: tirar as mulheres da política e dos espaços de poder. No Brasil, este é um problema grave. Ao longo de três anos, de 2021 a 2025, o Ministério Público Federal recebeu 215 denúncias que envolvem ofensas, agressões, racismo, violência psicológica e sexual, entre outras.
Um levantamento do Instituto Marielle Franco analisou 77 casos de violência política de gênero e raça praticados no ambiente digital, entre 2021 e 2024. O estudo mostra que 71% das ameaças envolvem morte ou estupro e que, em 63% dos casos de ameaça de morte, mencionam diretamente o assassinato de Marielle Franco, usado como forma simbólica de intimidação. As principais vítimas são mulheres negras cis, trans e travestis, LGBT+, periféricas e defensoras de direitos humanos, incluindo parlamentares, candidatas e ativistas.
Estamos a menos de um mês do julgamento, no Supremo Tribunal Federal, dos mandantes do assassinato de Marielle Franco. O caso será acompanhado por 15 organismos internacionais, entre eles a ONU e a Comissão Interamericana de Direitos Humanos.
“A expectativa é que o caso da Marielle seja um exemplo de como essa linha deve ser seguida, de como o processo deve ser seguido, e também que situações assim não aconteçam novamente. Que ele também gere, ainda, outras medidas que passem a proteger as mulheres a passarem pela violência política de gênero e raça e que, obviamente, não cheguem ao último estágio, o mais violento, que é a morte, que é o assassinato, como aconteceu com a Marielle”, espera Dandara de Paula, gerente programática do Instituto Marielle Franco.
Quem será julgado
São réus pela suposta participação como mandantes do assassinato de Marielle e Anderson o conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro, Domingos Brazão; o ex-deputado federal Chiquinho Brazão, irmão de Domingos; o ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro, Rivaldo Barbosa; o major da Polícia Militar, Ronald Alves de Paula; e o ex-policial militar Robson Calixto, assessor de Domingos. Todos estão presos preventivamente.
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