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Memória de religiões afro-brasileiras ganha espaço no Arquivo Nacional

Repórter Brasil Tarde

No AR em 13/01/2026 - 12:45

Uma série de documentos que revelam histórias dos terreiros e da religiosidade no Brasil foi incorporada ao Arquivo Nacional e vai poder ser consultada por toda a população. O conjunto, que veio de um doador particular, tem grande importância para a história da cultura afro-brasileira.

A coleção de objetos históricos da Umbanda foi uma doação particular ao Arquivo Nacional. Ela tem documentos como estatutos de terreiros da década de 1950. Ali estão informações de como a casa religiosa se organizava. O doador do acervo é o jornalista, antropólogo e babalawô Fernandez Portugal Filho. Ele também é o fundador do Centro de Estudos e Pesquisas de Cultura Iorubá, de 1977.

A doação foi realizada em dois lotes: o primeiro em 1999 e o segundo este ano. O primeiro lote das doações já pode ser consultado. O que foi doado este ano está em fase de processamento técnico. O Arquivo Nacional ainda espera receber materiais audiovisuais gravados em fitas cassete e de rolo, com registros feitos por Fernandez em terreiros no Rio de Janeiro, Salvador e até em países africanos. Nigéria e Benin são apontados como berços da cultura iorubá. Tem ainda mais de 150 DVDs sobre as religiões de matrizes africanas.

Entre os objetos, revistas, recortes de jornais, folhetos e materiais de campanhas eleitorais que mostram a cultura negra e a resistência, a luta contra o racismo, questões sobre a saúde da população negra. Material de propaganda da candidatura do senador e ativista Abdias do Nascimento.

Apesar da importância histórica da coleção, o doador teve dificuldade em encontrar uma instituição que aceitasse receber os objetos. Fernandez Portugal Filho nasceu em 1950 e foi iniciado no Candomblé aos 23 anos. Cursou jornalismo e, no final dos anos 1980, foi várias vezes para a Nigéria, onde também se iniciou no culto de Ifá, prática religiosa e filosófica do oeste africano. Para quem colecionou objetos sagrados a vida toda, ver a depredação de terreiros motivada por intolerância e racismo é sinal de que ainda é preciso lutar por respeito.

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Criado em 13/01/2026 - 14:55

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