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De Olinda a Salvador: crimes de ódio mancham o Carnaval de 2026 

Repórter Brasil Tarde

No AR em 20/02/2026 - 12:45

Dois casos de violência, um de racismo que infelizmente terminou em morte e outro de homofobia. Ambos aconteceram durante o carnaval. Em Pernambuco, o arquiteto Augusto Mendonça usou as redes sociais para relatar um ataque homofóbico. Ele disse que se montou de drag queen para surpreender alguns amigos que estavam em Olinda, mas que ao passar por uma rua, um grupo de jovens começou a atacá-lo verbalmente e fisicamente.

“Não sei se foi um soco, se foi um tapa, assim, pá, muito certeiro, que acertou aí o meu olho. E o sentimento que me deu naquela hora, logicamente, foi de revolta, foi de ir para cima, mas tipo, eu não podia fazer nada”, relata Augusto. 

Augusto destacou que fez o vídeo para mostrar que a homofobia existe e que, apesar de não se identificar como uma mulher trans, acredita que não teria sido atacado se não estivesse montado. 

O caso acontece poucos dias após a notícia de que o Brasil segue há 18 anos em primeiro lugar no ranking de países que mais matam pessoas transexuais e travestis no mundo. Os dados são da última edição do dossiê feito pela Associação Nacional de Travestis e Transexuais, Antra. Foram registrados 80 assassinatos em 2025. 

Racismo em camarote

Na Bahia, o psicólogo e psicanalista Manuel Neto contou ter sido vítima de racismo no camarote Ondina, na segunda-feira (16) do carnaval de Salvador. Em um longo relato, ele disse que voltava do banheiro quando pediu licença para passar, mas foi impedido por um homem branco que fechava o caminho. Manuel relatou então que, após dois pedidos claros, precisou ameaçar esse homem para que ele então o deixasse seguir. Psicólogo afirmou ainda que se sentiu humilhado por não poder transitar em um espaço pelo qual pagou para estar. 

Manuel morreu na terça-feira, dia 17, no mesmo dia da publicação. Segundo a Polícia Civil, o caso foi registrado como suicídio. 

O camarote onde Manuel estava disse que tomou conhecimento do caso através das redes sociais e que lamentava profundamente o episódio, assim como os desdobramentos, e que atitudes dessa natureza não condizem com os valores que norteiam a atuação do espaço. 

Manuel Neto tinha 32 anos e havia sido aprovado no mestrado da Universidade Federal da Bahia no fim de janeiro. A universidade lamentou a morte precoce de Manuel e destacou que o psicólogo era reconhecido pela atuação profissional comprometida e pelo vínculo próximo com a comunidade. O Conselho Regional de Psicologia da Bahia também emitiu nota de pesar. Afirmou que Manuel construiu uma prática profissional comprometida com a escuta ética, o cuidado e a promoção da saúde mental e ressaltou o engajamento dele na luta por uma sociedade antirracista. 

Editorial

“Devastador tudo isso. 

Eu vou insistir em um tema que já foi tratado aqui nessa semana: o racismo mata. O racismo mata pela violência explícita, pelo reconhecimento fotográfico errado, pelo preso por engano, pela imagem de perigo social associada ao homem negro, construída ao longo da história com o apoio do Estado e dos meios de comunicação, muitas vezes. Mas o racismo mata também por essas microviolências, essa dor que cala, sabe, e adoece. 

Por isso, uma ofensa racista como a que sofreu Vini Júnior não é uma ofensa individual direcionada a ele, ela atinge brutalmente um grupo, fica ali martelando. Ela causa sofrimento mental, especialmente para a criança negra que muitas vezes não tem como se defender. O racismo deve ser combatido com veemência porque ele mata e deixa morrer.”
 

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Criado em 20/02/2026 - 14:45

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