O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em entrevista à jornalista Daniela Lima, do portal UOL, disse que vai a Washington conversar “olho no olho” com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O encontro vai ser no início de março. O presidente falou também sobre a situação da Venezuela, após o sequestro do ex-presidente Nicolás Maduro pelos Estados Unidos. Confira o que ele disse.
“A viagem a Washington que eu estou marcando, possivelmente na primeira semana de março, para ter uma conversa olho no olho com o presidente Trump. Nós somos os presidentes das duas maiores democracias do Ocidente. A gente não pode ficar conversando por Twitter. Nós temos que sentar numa mesa, olhar um no olho do outro, ver quais são os problemas que afligem ele, quais são os que me afligem, o que interessa para os Estados Unidos, o que interessa para o Brasil e vamos trabalhar juntos. E vamos estabelecer acordos em que a gente possa trabalhar junto. O que eu disse é que não tem tema proibido para discutir. A única coisa que eu não discuto é a soberania do meu país. Essa é sagrada”.
Lula também falou sobre a atual situação da Venezuela, que vai ser um dos temas da conversa com Trump.
“A preocupação principal é o seguinte: há possibilidade da gente fortalecer a democracia na Venezuela e o povo da Venezuela, as oito milhões e 400 mil pessoas que estão fora, voltarem para a Venezuela? Há condições de fazer com que a democracia seja efetivamente respeitada na Venezuela e o povo possa participar ativamente? O que está em jogo é se a gente vai melhorar a vida do povo ou não. O que está em jogo é se a gente vai gerar emprego ou não. O que está em jogo é se a PDVSA vai voltar a produzir três milhões e 700 mil barris de petróleo por dia, e não 700 como produz hoje”.
O presidente ainda comentou sobre a situação na faixa de Gaza por conta da guerra de Israel com o grupo Hamas.
“Eu disse ao presidente Trump que, se o conselho for para cuidar de Gaza, o Brasil tem todo interesse de participar. Agora, é muito estranho que você tenha um conselho e você não tenha um palestino na direção desse conselho. É muito estranho que a proposta que foi apresentada de reconstrução de Gaza é mais um resort do que reconstrução de casa. Eu quero saber quem é que vai reconstruir as casas, os hospitais”.
Por último, Lula falou sobre o "Pacto Nacional Brasil de Enfrentamento ao Feminicídio", lançado nesta quarta-feira (4/2) pelos três poderes para tentar reduzir a ocorrência desses tipo de crime e a violência contra a mulher em geral.
“”É preciso que a gente crie mais condições das pessoas terem mais coragem de denunciar. Você, se estiver perto da sua casa, vendo uma mulher apanhar, você não pode dizer "em briga de marido e mulher não se mete a colher". O que nós queremos, na verdade, é envolver a sociedade brasileira. Eu disse para os dirigentes sindicais na porta de fábrica: "quando vocês forem pedir aumento de salário, entrem com esse assunto". O padre, quando for falar na igreja, na Nossa Senhora Aparecida, ou um pastor evangélico no culto dele, comece com esse assunto, falando com os homens, sabe? É uma questão de consciência, não é nem uma questão de lei. É uma questão de consciência”
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