O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro denunciou à Justiça dez policiais militares pelos crimes de obstrução de câmeras corporais e invasões ilegais a residências, praticados no dia 28 de outubro do ano passado, durante a operação Contenção nas comunidades do Complexo do Alemão e da Vila Cruzeiro. A operação é considerada a mais letal da história do país.
Outubro de 2025. Uma operação policial nas comunidades do Complexo do Alemão e Vila Cruzeiro deixou 122 mortos no Rio de Janeiro: 117 civis e 5 policiais. A imagem da fileira de corpos em meio a pessoas tentando identificar quem estava ali rodou o mundo. A ação foi criticada pela brutalidade e letalidade por organizações de direitos humanos brasileiras e internacionais, incluindo a Organização das Nações Unidas (ONU).
Agora, o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro denunciou 10 policiais militares por invadirem residências de moradores durante a ação. De acordo com a denúncia, os agentes usavam facões, chaves de fenda e até chaves micha (ferramenta profissional de chaveiros para abrir fechaduras) e invadiram os imóveis. As imagens mostram que os policiais vasculharam os cômodos das casas e até consumiram produtos da geladeira dos moradores.
Uma segunda denúncia do MPRJ relata ainda que cinco desses dez policiais militares desrespeitaram ordens superiores e manipularam as câmeras corporais de uso obrigatório para impedir ou prejudicar a gravação de imagens durante a ação. Já são oito denúncias do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro no total, em que 19 policiais militares foram acusados de práticas irregulares que incluem a apropriação de um fuzil encontrado dentro de uma casa no Complexo do Alemão, o furto de peças de um veículo na Vila Cruzeiro e constrangimento de moradores.
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