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Médica é morta durante operação policial no RJ

Repórter Brasil Tarde

No AR em 16/03/2026 - 12:45

No Rio de Janeiro, a médica Andréa Marins Dias foi baleada e morta na noite desse domingo (15), durante uma perseguição policial. O comando da PM disse que investigará o caso para saber se o disparo que vitimou a médica teria sido feito pela arma de algum dos agentes. Ela foi baleada no próprio carro, em Cascadura, Zona Norte do Rio de Janeiro.

De acordo com o relato dos PMs que faziam ronda na região, por volta das 18h, eles foram avisados de que criminosos em um carro semelhante ao de Andrea estavam praticando crimes. Teria começado, então, uma perseguição envolvendo dois carros e uma moto, com troca de tiros, segundo os policiais. Eles teriam dado ordem para parar. 

Os policiais continuaram perseguindo um dos carros que, no relato deles, estava em alta velocidade. Quando parou, encontraram Andrea no banco do motorista, morta. A suspeita é de que os PMs tenham confundido o carro e baleado a médica. A Delegacia de Homicídios investiga o caso. A Polícia Militar lamentou a morte da médica e instaurou um procedimento para apurar o que aconteceu. 

Os policiais usavam câmeras corporais que estão à disposição da Polícia Civil. Na manhã desta segunda-feira (16) ainda era possível ver estilhaços e cápsula de bala no local na rua em que a médica foi morta. A família também foi ao local.

Andrea Marins Dias tinha 61 anos e era médica cirurgiã, especialista em endometriose e oncologia.

Editorial – Luciana Barreto

Esse crime ele precisa de investigação por muitos motivos: o mais óbvio é uma questão de justiça para a família da médica Andréa Marins Dias. E esse episódio é também mais um gatilho pra muita gente especialmente na comunidade negra.

Não dá pra gente falar sobre esse episódio sem lembrar do caso do músico Evaldo Rosa, que foi atingido por militares do Exército que faziam patrulhamento em Guadalupe, zona norte do Rio, com 62 tiros em abril de 2019, quando ele ia para um chá de bebê junto com a família. A história do Evaldo tocou profundamente, porque foram disparados 257 tiros, 62 atingiram o automóvel. Ele foi morto, o sogro ficou ferido e um catador de material reciclável, o Luciano Macedo, que tentou ajudar a família, também morreu durante os disparos.

Confundir pessoas negras com bandidos é algo que permeia a história desse país e isso tem que acabar. Lembro também dos cinco rapazes de Costa Barros, que foram assassinados com 111 tiros por policiais militares em 2015. Eles estavam indo comemorar o primeiro trabalho com carteira assinada.

Portanto, esse crime contra a médica precisa ser investigado e não abandonado. Só para lembrar, no julgamento no Superior Tribunal Militar, os militares que atiraram contra o Evaldo foram inocentados do homicídio doloso, quando há intenção de matar. E passaram para homicídio culposo. Pegaram penas de cerca de três anos. Afinal, 257 tiros não quer matar uma pessoa?

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Criado em 16/03/2026 - 16:00

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