Em um ano, uma a cada cinco crianças e adolescentes entre 12 e 17 anos foi vítima de exploração e abuso sexual facilitados pela tecnologia. São cerca de três milhões de meninas e meninos vítimas de violência sexual. O levantamento foi divulgado nesta quarta-feira (4) pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). Pelas plataformas digitais, criminosos cometem aliciamento, extorsão, produzem, armazenam ou disseminam conteúdos ilícitos contra crianças e adolescentes.
O relatório "Enfrentando a Violência Sexual contra Crianças Facilitada pela Tecnologia" traz um retrato da incidência desses crimes no Brasil. Os dados foram coletados em visitas domiciliares. Os pesquisadores abordaram experiências vividas por crianças e adolescentes nos 12 meses anteriores à pesquisa.
A exposição a conteúdo sexual não solicitado é a forma de violência mais recorrente em plataformas como redes sociais, aplicativos de mensagens instantâneas e jogos online. Em quase metade dos casos, a exploração ou abuso é cometido por um agressor que é conhecido da vítima; 34% das vítimas não tiveram coragem de contar o ocorrido e pedir ajuda; 12% delas afirmaram não considerar a violência grave o suficiente para ser denunciada.
Instagram e WhatsApp são os aplicativos mais utilizados pelos agressores. Em alguns casos, os criminosos buscam explorar crianças e famílias que enfrentam dificuldades econômicas. 5% dos entrevistados disseram ter recebido ofertas de dinheiro ou presentes para compartilhar em troca imagens ou vídeos de conteúdo sexual.
“A escola precisa endereçar isso, incluir educação digital, educação midiática, mas também a educação sobre direitos sexuais e reprodutivos. E aí temos o papel da escola muito importante, o papel das famílias que também precisam receber essa orientação, mas o papel também do poder público e das próprias empresas, porque as empresas de tecnologia, elas precisam começar a priorizar a proteção e o bem-estar das crianças e adolescentes desde a fase de planejamento e desenho dessas ferramentas digitais”, afirma Luiza Teixeira, especialista em Proteção contra as violências do Unicef-Brasil.
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