Os Estados Unidos afirmaram, nesta quinta-feira (29), que Israel concordou com um plano de cessar-fogo na Faixa de Gaza e que o Hamas está analisando o documento. A declaração ocorre em um momento em que aliados históricos de Israel aumentam a pressão pelo fim da guerra.
Enquanto não há acordo, palestinos na Faixa de Gaza enfrentaram mais um dia de caos e tumulto para conseguir alimentos. O desespero da população é reflexo da fome generalizada no território, que sofre ainda com bombardeios constantes.
Palestinos na Faixa de Gaza enfrentaram mais um dia de caos e tumulto enquanto tentavam pegar alimentos. O desespero da população é reflexo da fome generalizada que afeta o território, que sofre ainda com bombardeios constantes.
Milhares de palestinos se amontoaram na cidade de Gaza em busca de algum alimento. Um homem disse que andou dez quilômetros para tentar conseguir comida para os filhos, mas que está tão cansado e faminto que mal consegue andar o trajeto de volta. Uma mulher teve ainda menos sorte. Ela disse que veio correndo quando soube que estavam distribuindo comida, mas, ao chegar, foi informada de que não tinha restado nada.
Desde o início da semana, quando Israel suspendeu o bloqueio para entrada de ajuda humanitária no território, milhares de palestinos tentam conseguir alguma comida. Quem faz a distribuição é a Fundação Humanitária de Gaza, agência comandada pelos Estados Unidos e por Israel, e que é alvo de críticas pela falta de organização e experiência. Na terça-feira, um ataque a tiros durante a entrega da ajuda causou a morte de ao menos uma pessoa.
Na quarta, um armazém do Programa Mundial de Alimentos foi saqueado durante a noite, e há suspeita de que duas pessoas morreram e dezenas ficaram feridas no tumulto. As Nações Unidas e outras organizações de ajuda humanitária que atuam há anos em Gaza afirmam que o sistema de distribuição adotado pelo grupo criado por Israel é ineficiente. A entrega tem sido feita no sul de Gaza, por exemplo, sendo que a maior parte da população está no norte. Além disso, elas dizem que Israel usa os alimentos para controlar a população. Israel afirma que mantém o controle para evitar que os suprimentos caiam nas mãos do Hamas.
Bombardeios seguem constantes
Além da fome, Israel continua a bombardear o território. Só nas últimas 24 horas, 67 palestinos foram assassinados e outros 179 ficaram feridos. A quantidade de palestinos mortos desde o início da guerra já passa de 54 mil.
Nesta quinta-feira, o embaixador da Palestina na ONU, Ryad Mansour, não conteve a tristeza diante do sofrimento imposto ao povo civil de Gaza. "É insuportável... Como alguém poderia? Desculpe-me, Sr. Presidente. Eu tenho netos. Sei o que eles significam para suas famílias, e ver essa situação com os palestinos sem que tenhamos coração para fazer algo está além da capacidade de qualquer ser humano normal tolerar”, se indignou.
A situação tem levado aliados históricos de Israel a pressionar pelo fim do conflito. Hoje, o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, disse que tanto ele como o colega canadense, Mark Carney, e o presidente francês, Emmanuel Macron, estão horrorizados com a escalada da ofensiva israelense em Gaza. “Crianças inocentes sendo, de novo, bombardeadas é intolerável”, disse.
Durante a semana, a União Europeia também condenou as operações militares israelenses e disse que elas foram muito além do que é necessário para derrotar o Hamas.
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