A Polícia Militar do Estado de São Paulo confirmou hoje (15) que os PMs que atiraram em um rapaz de 24 anos já rendido na favela Paraisópolis não sabiam que as câmeras corporais que eles usavam no dia da ação estavam ligadas.
Segundo a Polícia Militar, os policiais só notaram que as câmeras corporais estavam acionadas depois que atiraram contra o rapaz. Dois policiais militares foram presos em flagrante por homicídio doloso, quando há intenção de matar.
O caso aconteceu na quinta-feira passada, dia 10 de julho, mas as imagens só foram divulgadas hoje (15).
Na gravação, é possível ver os policiais entrando em um quarto. Um deles aponta a arma e atira em Igor Oliveira de Moraes Santos, de 24 anos, que já está com as mãos erguidas, rendido e atrás de uma cama.
Ele foi alvo de disparos duas vezes. Na segunda vez, quando se levanta, com a mão direita erguida, é alvo de mais disparos. Pelo menos quatro policiais militares participaram da ação.
É possível ouvir um dos PMs citando as "COP", câmeras operacionais portáteis. A ação foi considerada ilegal pela própria Polícia Militar.
Segundo a Secretaria de Segurança Pública, o caso está sendo investigado pelo DHPP, o Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa.
Desde 2023, primeiro ano do governo Tarcísio de Freitas, o estado de São Paulo vem enfrentando aumento no número de mortes causadas pela Polícia Militar.
No ano passado inteiro, 737 pessoas foram mortas pela PM — número que inclui policiais em serviço e de folga.
De janeiro a junho deste ano, policiais militares em serviço mataram 304 pessoas no estado. Os dados são da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo.
Para falar mais sobre o assunto, o Repórter Brasil recebeu Adilson Sousa Santiago, presidente do Condepe, Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana.
Ainda sobre esse caso que ocorreu em Paraisópolis, um estudo da Unifesp junto com a Defensoria Pública Estadual mostra que o batalhão dos policiais militares presos é o mais letal do estado de São Paulo.
A área de circunscrição desse batalhão teve 337 mortes decorrentes de intervenções policiais entre 2013 e 2023.
A professora Desirée de Lemos Azevedo, da Unifesp, uma das autoras do relatório, explica que as ocorrências são maiores em territórios marcados por vulnerabilidade social.
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