Esta edição do Repórter Brasil começou com uma notícia triste. Morreu hoje, em Porto Alegre, o escritor e cartunista Luis Fernando Veríssimo. Ele estava com 88 anos e vivia sob cuidados médicos desde 2021, quando ele sofreu um acidente vascular cerebral que o deixou com limitações.
Veríssimo estava hospitalizado há 20 dias, por causa de uma pneumonia. O velório público do escritor aconteceu na Assembleia Legislativa gaúcho terminou por volta das 17h. Logo depois houve uma cerimônia privada para familiares e amigos mais próximos.
Verissimo morreu 0h40 deste sábado, segundo nota divulgada pelo hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre, onde ele estava internado desde 11 de agosto.
A situação de saúde de Luis Fernando Veríssimo inspirava cuidados havia tempo. Além do acidente vascular cerebral, ele sofria de Parkinson e também era cardíaco; em 2016 precisou implantar um marca-passo.
Veríssimo nasceu em 1936, em Porto Alegre. Era filho do também escritor Erico Veríssimo, autor de clássicos da literatura como "O Tempo e o Vento" e "Incidente em Antares." E também um dos romancistas mais influentes do realismo de 1930, definido pela crítica como a segunda fase do modernismo brasileiro, iniciado em 1922.
Veríssimo começou a estudar na capital gaúcha. Mas aos 16 anos, mudou-se com a família para os Estados Unidos. O pai fôra dar aulas na Universidade de Berkley, na Califórnia. De volta ao Brasil em 1956, ele foi trabalhar numa editora de Porto Alegre; depois com o jornalismo e... a música: apaixonado por jazz, tocava saxofone e chegou a se apresentar profissionalmente.
O primeiro livro de Veríssimo, "O Popular", é de 1973; uma coletânea de textos publicados anteriormente nos jornais em que trabalhava. Depois vieram outros livros, mais de 75: romances, contos, crônicas, relatos de viagem – uma obra vasta e diversificada. Veríssimo foi um dos autores mais vendidos no Brasil: cerca de 5 milhões e meio de exemplares.
Uma das características do trabalho de Veríssimo foi a ironia, o humor fino aliado à crítica aos problemas sociais e aos dilemas brasileiros, o que lhe rendeu prêmios e homenagens no Brasil e no exterior. A maior parte dessa crítica podia ser acompanhada no dia a dia dos grandes jornais e revistas em que Veríssimo trabalhou como cronista e cartunista.
Era um jornalista e um humorista aguardado com satisfação, sabia cativar os leitores. Em 2003, com quase 70 anos, Veríssimo começou a reduzir o trabalho na imprensa. Passou de seis para duas colunas semanais, nos jornais em que publicava. Queria mais tempo para dedicar-se aos romances que publicaria.
Até que em 2012 veio a primeira de uma série de internações hospitalares: enfermidades que tomariam o tempo de criação do escritor. Doenças que lhe imporiam limitações. Veríssimo foi um autor popular. Foi um homem de percepção sofisticada dos fatos. E foi um escritor, que apesar dessa popularidade, soube preservar a qualidade da obra que criou.
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