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Ensino fundamental: como estudantes veem e o que querem da escola

Repórter Brasil

No AR em 16/09/2025 - 19:00

Um relatório do Ministério da Educação revela uma geração com demandas claras para o ambiente escolar. O levantamento inédito ouviu mais de 2 milhões de estudantes do 6º ao 9º ano.

Quando o estudante João Robson Rodrigues, de 17 anos, se viu três anos atrasado na escola, ele sabia que precisava ser ouvido. Aluno de escola pública a vida toda, ele não era o único a conviver com o prejuízo na formação escolar.

"Eu quando era novo eu passei por uma certa dificuldade com mudança de estado, também minha mãe era uma mãe solteira. Tinha outros alunos que estavam se encontrando na mesma situação que eu."

Hoje, o jovem se recuperou do atraso e está no Ensino Médio. Para ele, ações voltadas para adequar a idade dos estudantes ao ano letivo foram fundamentais. 

"Antes disso, podemos dizer que me sentia sozinho. Não via a minha real situação naquele momento e, com isso, só me fechava mais. E quando eu entrei nesse programa, eu vi que eles deram essa atenção especial, tocaram nesse ponto onde ninguém tocou."

O relatório do MEC mostra que a maioria dos jovens dá valor a uma escola mais acolhedora e dinâmica. Mas também expõe desafios: os alunos do 8º e 9º anos têm uma visão menos positiva da escola que os mais novos. 

Para os estudantes, a escola é um lugar fundamental para amizades e socialização, com oito em cada dez afirmando ter amigos com quem gostam de estar.  No entanto, há críticas sobre o acolhimento.

Apenas cerca de metade dos mais velhos se sente acolhida na escola. Sobre os conteúdos, as disciplinas tradicionais são importantes para quase metade dos mais novos, mas também há um significativo interesse em temas como esporte, bem-estar e desenvolvimento socioemocional. 

"Em lugares mais socialmente vulnerabilizados, os estudantes reputam a escola um lugar de muito acolhimento e, naquelas escolas onde você tem um nível socioeconômico um pouco mais elevado, eles já olham para outros aspectos de valorização. A escola acaba sendo um lugar onde eles esperam ter muito mais respeito, considerar a potência da sua diversidade, quem eles verdadeiramente são e como que os conteúdos que são trabalhados ali precisam levar em consideração essas demandas", observa a secretária de Educação Básica do Ministério da Educação Kátia Helena Schweickardt.

O levantamento contou com cerca de 2,3 milhões estudantes de mais de 21 mil escolas públicas em todo o Brasil. Além de orientar uma política nacional para os anos finais do Ensino Fundamental, os dados também poderão ser usados pelas unidades de ensino.

"Era um conteúdo que, por exemplo, ajudava as equipes escolares a organizarem oficinas, dinâmicas, atividades em que os adolescentes pudessem não só falar, mas também dialogar, conversar, registrar o que eles gostam da escola. E para muitas escolas, essa foi a primeira vez em que elas organizaram um encontro com adolescentes para ouvi-los", concluiu a superintendente do Itaú Social, Patrícia Mota Guedes.

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Criado em 16/09/2025 - 21:55

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