A tentativa de golpe de estado se iniciou muito antes da invasão da sede dos Três Poderes, em 8 de janeiro de 2023, conforme o entendimento da Procuradoria-Geral da República.
O discurso de ataque ao sistema eleitoral e as urnas eletrônicas se intensificaram em 2021. Nesse ano, o Supremo Tribunal Federal (STF) anulou as condenações de Luiz Inácio Lula da Silva e tornou o elegível.
Com Lula de volta à disputa eleitoral, o plano de ruptura da democracia e de um golpe de Estado de Jair Bolsonaro e seus aliados começava a ser desenhado, de acordo com a denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República.
Ainda em 2021, Jair Bolsonaro passou a fazer pronunciamentos públicos, com ataques diretos ao sistema eleitoral e, principalmente, ao STF. Em julho, no mesmo ano, o então presidente fez uma transmissão ao vivo pela internet em que criticava as urnas eletrônicas de votação e exaltava a atuação das Forças Armadas.
Com a proximidade das eleições, as acusações se intensificaram. Em 5 de julho de 2022, reunida no Palácio do Planalto, a cúpula do governo falava em medidas antidemocráticas para evitar uma derrota nas urnas.
Poucos dias depois da reunião ministerial, em 18 de julho, Bolsonaro se encontrou com chefes de emissões diplomáticas e, mais uma vez, aproveitou a oportunidade para criticar o sistema eleitoral brasileiro.
Já no segundo turno das eleições, o grupo tentou intervir diretamente no processo eleitoral. Segundo a PGR, em 31 de outubro, agentes da Polícia Rodoviária Federal bloquearam estradas para dificultar o acesso de eleitores às zonas eleitorais onde Lula conseguiu mais votos no primeiro turno.
Não foi o suficiente e a chapa Lula Alckmin venceu. Com a vitória de Lula, apoiadores bolsonaristas montaram acampamentos em frente aos quartéis do Exército em uma tentativa de sensibilizar as Forças Armadas a aderir a trama golpista.
Em dezembro de 2022, no dia da diplomação da chapa vencedora, a sede da Polícia Federal foi alvo de ataque pelas pessoas acampadas na área militar. Os golpistas atearam fogo a um ônibus na região central de Brasília, mas apoiadores de Bolsonaro não pararam por aí.
Um homem botou uma bomba em um caminhão tanque que abasteceria aviões na pista do Aeroporto JK, em Brasília. Antes da virada do ano, Bolsonaro e o ministro da Justiça, Anderson Torres, fugiram para os Estados Unidos. Depois da posse de Lula e seu vice, Geraldo Alckmin, em 8 de janeiro, uma multidão deixou o acampamento montado no QG do exército e marchou contra os Três Poderes, em cenas que rodaram o mundo.
A investigação começou ainda em 2023. A Polícia Federal descobriu o vídeo da reunião do Planalto mostrada no início da reportagem e uma série de provas foram reveladas, como um decreto que previa estado de sítio e uma operação de Garantia da Lei e da Ordem, instrumentos jurídicos que contestariam o resultado da eleição.
O ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, Mauro Cid, em sua delação premiada, confirmou que Bolsonaro chegou a modificar o documento. A PF ainda descobriu um plano para matar Lula, o vice presidente Geraldo Alckmin e o ministro do STF Alexandre de Moraes.
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