Depois de um dia de caos e violência, a cidade do Rio de Janeiro acordou mais triste. Não foi uma quarta-feira comum. As ruas estavam mais vazias. Algumas pessoas ficaram com medo de sair de casa, outras foram liberadas para o trabalho em domicílio. Já no bairro da Penha, local onde aconteceu grande parte do confronto, parentes buscavam informações sobre os mortos.
Entidades da sociedade civil e órgãos da justiça pedem explicações sobre a legalidade da ação do governo do estado.
A operação de ontem (28) trouxe transtornos em vários pontos da cidade. A volta para casa foi tumultuada. Ônibus pararam de circular e o metrô ficou lotado. Hoje (29), a cidade voltou ao estágio 1. Na classificação da prefeitura, quer dizer que não há ocorrências de grande impacto na cidade.
Em coletiva feita hoje pela manhã, o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, voltou a afirmar que a operação foi um sucesso:
“O conflito foi todo na mata. Então, não creio que tivesse alguém passeando na mata num dia de conflito.”
Os chefes das forças de segurança também deram uma coletiva no final da manhã de hoje. Eles explicaram que a estratégia da polícia foi emboscar os criminosos pela mata, até um local onde agentes do Batalhão de Operações Especiais, o Bope, já estavam posicionados.
“Nós enfrentamos e nós atuamos no quartel-general do Comando Vermelho. Então, obviamente que era sabido e era previsto que haveria uma grande resistência, um grande confronto para proteger lideranças que estavam atuando naquela região”, destacou Marcelo de Menezes, secretário de Polícia Militar do Rio de Janeiro.
A operação teve repercussão internacional. O Secretário-Geral da ONU, António Guterres, pediu que seja realizada uma investigação imediata sobre o episódio. Organizações da sociedade civil também criticaram a ação. Um manifesto encabeçado pela Anistia Internacional e pela Justiça Global, e assinado por quase 30 instituições, diz que a operação foi, na verdade, uma matança produzida pelo Estado brasileiro e que segurança pública não se faz com sangue.
“Uma operação com tanta morte, que vai entrar em localidades que eles sabem que não têm controle do ambiente, que não têm controle do dever de proteção da vida e do patrimônio das pessoas, ela tinha alto risco de fracasso. O resultado que a gente está vendo: assassinato, sangue, mutilação, morte, trauma. Não é técnica, não é fruto de planejamento, é um retumbante fracasso”, enfatiza Jurema Werneck, diretora executiva da Anistia Internacional Brasil.
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, enviou hoje um parecer ao Supremo Tribunal Federal (STF), reforçando pedidos de informações feitas ao governador Cláudio Castro. O objetivo é verificar se foram cumpridas regras definidas pelo STF sobre a realização de operações no Rio.
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