Digite sua busca e aperte enter

Compartilhar:

Estudiosos da área de segurança pública criticam operação no Rio

Repórter Brasil

No AR em 29/10/2025 - 19:00

Estudiosos da área de segurança pública e entidades de defesa dos direitos humanos criticaram a operação policial de ontem (28) no Rio de Janeiro, que já é considerada a mais letal da história.

Renato Alves, do Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo, avalia a ação como mais um marco negativo na história das polícias brasileiras:

“Um absurdo a maneira como se deu essa intervenção policial, que diz que é uma coisa que está sendo planejada por mais de ano e ter esse desfecho tão desastroso.”

Para Roberto Uchôa, conselheiro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a repetição de operações como essa, de tempos em tempos e cada vez maiores, demonstra como a forma de enfrentamento ao crime continua falhando:

“Não basta fazer uma ação pontual em uma localidade que é dominada por uma organização criminosa há anos. Quer dizer, se o governo acha que entrar, em determinado momento, de forma massiva, matar pessoas, recolher uma quantidade de armas e drogas e fazer prisões e sair, isso é uma sinalização péssima. Porque você imagina para o morador ali, o que ele pensa? ‘Em 365 dias do ano, 360 quem manda aqui é o tráfico. Em 5 dias, a polícia aparece, destrói a minha casa toda, mata meus familiares, acaba com nosso cotidiano, com a nossa vida, e depois querem que a gente ainda defenda o Estado.”

Para os especialistas, é possível evitar situações de extrema violência como essa mudando o direcionamento das ações do poder público. Por um lado, há outras maneiras de atingir as organizações criminosas, e também é preciso pensar em políticas que atendam às necessidades das populações que vivem em territórios vulnerabilizados.

“A gente tem escolas fechadas, unidades de saúde fechadas. A reação do crime, ontem, gerou uma paralisia geral no estado do Rio de Janeiro. Então, esse tipo de operação, além dela ser profundamente ineficiente, porque ela, de fato, não atinge o coração do crime organizado, ainda que lideranças tenham sido presas, ela gera, enfim, um custo muito alto para aquela comunidade, que já sofre diariamente com toda a falta de acesso aos direitos e aos serviços públicos”, destacou Carolina Ricardo, diretora executiva do Instituto Sou da Paz.

Clique aqui para saber como sintonizar a programação da TV Brasil.

Criado em 29/10/2025 - 21:25

Últimas

O que vem por aí