Digite sua busca e aperte enter

Compartilhar:

Estupro infantil e silêncio: 60% das meninas não contam a ninguém

Repórter Brasil

No AR em 15/10/2025 - 19:00

Uma pesquisa nacional revela números alarmantes sobre a violência sexual no Brasil. Mais da metade da população conhece uma mulher vítima de estupro e, entre as meninas violentadas, a maioria nunca contou a ninguém. O levantamento mostra também o desconhecimento sobre os direitos das vítimas e a falta de políticas públicas efetivas para protegê-las.

O medo de ser estuprada assombra grande parte das brasileiras. E não é à toa. Seis em cada dez pessoas conhecem uma mulher que sofreu violência sexual. E quase 60% já ouviram falar de uma vítima com menos de 13 anos.

“Boa parte dos brasileiros conhece alguma história de alguma menina ou mulher que foi estuprada. Então isso é muito grave e aponta para a necessidade da gente tirar esse tema da invisibilidade, enfrentar o tabu, o estigma que tem esse tema pra poder enfrentar essa tragédia que está em milhares de lares, afetando milhões de pessoas”, afirma  Marisa Sanematsu, diretora de conteúdo do Instituto Patrícia Galvão

Entre as entrevistadas, 15% das mulheres declararam ter sido estupradas, o que representa quase 13 milhões. Outro dado alarmante é que seis em cada dez meninas violentadas não contaram para ninguém.

“Muitas vezes a vítima não tem nem noção, não tem nem a consciência de que está sofrendo uma violência. Isso passa também pela vergonha, passa pelo medo, muitas vezes essas vítimas sofrem ameaças dos agressores e também existe todo um estigma em cima da vítima que faz com que elas tenham medo de que não acreditem na palavra dela”, explica a diretora. 

Os brasileiros, porém, reconhecem a vulnerabilidade das vítimas com menos de 13 anos e que elas não estão preparadas para serem mães. E 70% das mulheres gostariam de ter a opção de interromper legalmente a gravidez em caso de estupro. O levantamento apontou ainda que falta conhecimento sobre a violência sexual e os direitos das vítimas.

“A legislação é muito omissa com as mulheres e as meninas que sofrem esse crime e não procuram denunciar. Ela deve procurar o conselho tutelar, os centros de atendimento. Só que, assim, quando a gente fala disso na capital, a gente tem uma leitura bem clara do que acontece. Quando a gente vai pro interior, sobretudo Norte e Nordeste, as coisas ficam mais difíceis ainda. É você imaginar que uma menina de 13, de 11, 12 anos está vivendo uma situação em que é utilizada até como esposa de um cara bem mais velho. Então, a própria ausência de informação faz com que esse crime se perpetue pelo tempo”, alerta o advogado Jaime Fusco. 

Clique aqui para saber como sintonizar a programação da TV Brasil.

Criado em 15/10/2025 - 20:05

Últimas

O que vem por aí