Entre ontem (28) e hoje (29), lideranças sociais que atuam na região dos complexos de favelas do Alemão e da Penha divulgaram em redes sociais relatos sobre a operação policial que deixou mais de 120 mortos.
O jornalista nascido e criado no Complexo do Alemão e fundador do grupo de mídia Voz das Comunidades, Rene Silva, comentou que o tempo passa e nada muda, em se tratando de operações policiais no Rio:
“Em novembro de 2010, nós estávamos vivendo esse mesmo momento, com repercussão internacional, todo mundo da comunidade reunido, vários corpos estirados pela comunidade, 15 anos atrás. E o Estado, da mesma forma, só entrega à favela bala e tiroteios.”
Pâmela Carvalho, da Coalizão Negra por Direitos, criticou a posição do governo do estado:
As declarações do governo do estado são que a operação, essa megaoperação, foi exitosa. Então, se essa megaoperação foi exitosa, o objetivo era matar mais de 120 pessoas num país onde, mesmo em conflito da lei, a pena de morte não é legalizada?”.
Eduardo Carvalho, profissional de mídia focado nas comunidades do Rio, cobrou uma política de segurança que priorize a proteção da vida:
“A conversa parece não sair do lugar e a solução não pode ser apenas botar um blindado apontado para a favela. Para quem cresceu na Rocinha, a dor de ver o conjunto de favelas do Alemão e da Penha repetidamente massacrados é devastadora. O país deveria ter o compromisso de resguardar a vida das pessoas, saindo desse estereótipo de que pessoa moradora de favela não vale nada, a não ser como estatística trágica ou corpo a ser exibido como troféu.
Raull Santiago, ativista de direitos humanos e especialista nas favelas cariocas, se emocionou ao se deparar com os corpos jogados nas ruas das favelas:
“São mais de 120 vidas. Mas a luta segue. Enquanto houver gente de pé, a gente vai seguir se movimentando para construir esse futuro diferente para as nossas crianças, os nossos jovens e pelo futuro da favela.”
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