A tensão entre Caracas e Washington vem escalando desde março, quando os Estados Unidos prometeram taxar os países que comprassem petróleo da Venezuela. Desde então, as relações entre os países só se deterioraram. O governo norte-americano acusou o presidente Nicolás Maduro de ser líder de um cartel de drogas e colocou uma recompensa de 50 milhões de dólares por informações que levassem à prisão do líder venezuelano.
Em setembro, o governo Trump anunciou ataques a supostas embarcações venezuelanas transportando drogas. O presidente Nicolás Maduro acusou Trump de intimidação.
Esta semana, a crise entre os dois chegou ao ponto mais crítico até agora: o presidente Trump confirmou a autorização para que o serviço secreto dos Estados Unidos, a CIA, operasse em solo venezuelano.
Poucas horas depois, o presidente Nicolás Maduro se pronunciou: disse que não deseja uma guerra e lembrou que os Estados Unidos já atuaram em golpes de Estado no Chile e na Argentina. E finalizou: é preciso mostrar à opinião pública dos Estados Unidos as mentiras propagadas pelo governo Trump.
Desde 2019, quando Juan Guaidó se autoproclamou presidente no lugar de Maduro, com apoio de Donald Trump, os capítulos desse conflito vêm se desenrolando. No ano passado, as suspeitas sobre as eleições presidenciais venezuelanas foram motivo de mais críticas.
“Em 2019, a abordagem dos Estados Unidos e do Trump foi apoiar grupos internos. E a diferença agora é que os Estados Unidos, o Trump e o Marco Rubio, secretário de Estado, estão fazendo uma abordagem que não está trabalhando com os grupos internos na Venezuela, eles estão indo direto, ou seja, os Estados Unidos vão preparando uma ação e nós vimos isso contra o Iraque, nós vimos isso contra a Líbia, ou seja, os Estados Unidos. Qual é o custo diário de manter 10 mil soldados, todas as embarcações militares, esses navios militares, em prontidão?”, questiona Roberto Goulart Menezes, professor de Relações Internacionais da UnB
O Prêmio Nobel da Paz foi concedido esta semana à opositora de Nicolás Maduro, María Corina Machado. Ela elogiou as ações americanas contra Maduro e afirmou que o venezuelano faz uma guerra contra o próprio país e precisa ser parado.
“Essa relação, é claro que isso coloca um elemento a mais para a nossa análise, mas eu não diria que é uma relação direta, ou seja, porque os Estados Unidos têm esse poder de determinar quem vai vencer o prêmio. Agora, também não dá para negar que uma vez que ela tenha ganho o prêmio, colocou mais em evidência ainda o governo Maduro e a situação política na Venezuela”, ressalta o professor.
Análise
De um lado, a vencedora do Prêmio Nobel da Paz deste ano; do outro, Nicolás Maduro; e, no meio, a maior reserva de petróleo do mundo. Para entender a escalada de tensão política entre Estados Unidos e Venezuela, a TV Brasil conversou com Yan Boechat, jornalista e correspondente de guerra.
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