Os resultados da operação que começou nas primeiras horas de ontem (28) nos complexos de favelas do Alemão e da Penha, na Zona Norte do Rio, continuam a aparecer no dia seguinte à tragédia. Na Penha, moradores entraram na zona de mata da comunidade para socorrer pessoas próximas e buscar os mortos. Mais de 70 corpos foram enfileirados numa praça da região.
Um dia depois do caos, o Rio de Janeiro acordou com a denúncia sobre o asfalto. O cenário de guerra se formou na Praça São Lucas, no Complexo da Penha. Os corpos eram trazidos nos porta-malas dos veículos. A dor estava no rosto dos parentes, a maioria mulheres: mães, irmãs e esposas. Elas contam que muitos foram mortos mesmo depois de terem se rendido.
Em alguns casos, os baleados ainda estavam vivos ontem. Os parentes dizem que pediram socorro no alto da comunidade, mas não foram atendidos.
Os moradores denunciam a subnotificação no número oficial apresentado dos mortos. Todos esses corpos foram trazidos pelos próprios moradores para a Praça São Lucas, no Complexo da Penha, durante a manhã. Muitos entre os mortos usavam apenas roupas íntimas.
O advogado Albino Pereira representa três famílias e constata sinais de tortura e outras violações de direitos cometidas durante a operação:
“Se você olhar aqui, você não precisa ser nem perito, que você vai ver que tem marca de queimadura. Os disparos foram feitos com a arma encostada. Perfeito? É só você olhar. Chegou um aqui sem cabeça. A cabeça chegou dentro de um saco, foi decapitado. Então, isso aqui foi um extermínio.”
Os corpos começaram a ser recolhidos pela Defesa Civil na parte baixa da comunidade por volta de 8h30. A Defensoria Pública prestou atendimento às famílias. Segundo o órgão, muitos entre os mortos eram de outros estados.
Quem perdeu parentes na operação, lamenta o fato de o Estado entrar na favela sempre com violência.
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