Foi um dia de muita tensão no Rio de Janeiro. Ao todo, foram mobilizados 2,5 mil policiais militares e civis para a maior operação em 15 anos, de acordo com o governo estadual. O foco da ação foi na Zona Norte da cidade, em dois grandes aglomerados de favelas que ficam próximos à Avenida Brasil e à Linha Amarela, duas vias importantes da cidade. O aeroporto do Galeão também fica perto. O Complexo do Alemão tem cerca de 70 mil habitantes, enquanto que o Complexo da Penha tem aproximadamente 100 mil. São duas áreas vizinhas que têm, juntas, 26 comunidades.
Ao longo de todo o dia de hoje essa operação não afetou só esta região, a dos complexos do Alemão e da Penha. Afetou também vários outros trechos da cidade. Houve várias interdições por conta da ação.
Segundo o último boletim da prefeitura, às 19h, entre os pontos que continuam interditados estão a Avenida Ayrton Senna, em direção à Barra da Tijuca, a estrada Grajaú-Jacarepaguá, em direção a Jacarepaguá, duas vias muito importantes e utilizadas pelos cariocas na volta para casa. Os demais modais, segundo a prefeitura, como trens, metrôs, barcas, VLT e a estação rodoviária estão funcionando regularmente. As linhas de ônibus ainda estão em processo de normalização, principalmente aquelas que passam perto dos complexos da Penha e do Alemão.
Lembrando que a volta para casa hoje foi mais cedo, no meio da tarde, pois milhares de cariocas ficaram com medo e buscaram evitar a noite. A operação diminuiu de intensidade, mas ainda não acabou. O governador Cláudio Castro ordenou que todo o efetivo da polícia continue de prontidão.
Foram vários os pontos da cidade em que houve algumas interdições, mas houve muitos boatos também. Alguns ônibus e outros tipos de transporte foram atravessados nas ruas. Houve também uma situação de muito pânico por parte da população, por conta de alguns boatos.
Vale lembrar que, até agora, a reportagem não obteve nenhum retorno das autoridades públicas sobre quem são os suspeitos e os mortos. Só há informações sobre os policiais que perderam a vida durante os confrontos.
A Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão, ligada ao Ministério Público Federal, e a Defensoria Pública da União (DPU) solicitaram ao governador Cláudio Castro detalhes sobre a ação policial de hoje. Os órgãos querem saber quais foram as finalidades da operação, os custos envolvidos e se não havia outro meio menos danoso para atingir os objetivos planejados. O procurador Júlio Araújo Júnior e o defensor público Thales Arcoverde ainda questionam o governo estadual se as determinações do Supremo Tribunal Federal (STF) na ADPF 635 foram cumpridas. Essa ADPF estabelece regras para reduzir a violência nessas operações, como, por exemplo, o uso de câmeras corporais, a presença de ambulâncias e a existência de justificativa formal da operação.
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