Preservar a Amazônia passa também por conhecer suas riquezas e desafios. No coração da floresta, o Museu Paraense Emílio Goeldi se destaca há mais de 150 anos pela pesquisa e valorização da região. Primeira instituição brasileira dedicada ao estudo da Amazônia, o museu terá papel de destaque durante a COP30, em Belém. A reportagem é da TV Cultura do Pará, mais uma emissora da rede.
No ano em que a COP é realizada em Belém, o mundo olha para a cidade. E entre as instituições que conhecem bem a Amazônia está o Museu Paraense Emílio Goeldi. Fundado na cidade de Belém em 1866, o Museu Goeldi foi o primeiro projeto científico nacional para estudar a Amazônia.
Desde a fundação, a Amazônia é o elemento central na agenda de pesquisa do Museu Paraense Emílio Goeldi. No laboratório de restauração arqueológica, as pesquisas buscam compreender a ocupação e a presença humana na Amazônia.
Apenas no século 21, junto com vários parceiros, o Museu Goeldi já apresentou mais de 800 espécies novas de fauna, flora e fungos. As pesquisas alimentam e são municiadas por 19 coleções científicas principais, integradas por mais de 4,5 milhões de itens tombados.
“Quando os nossos pesquisadores vão para uma área que a gente sabe onde a gente pesquisou e a gente sabe onde a gente precisa fazer coletas, tanto de espécies da fauna quanto da flora, e, cada vez que um grupo de especialistas se desloca para esses locais, a gente volta na bagagem com descrição de 20, 30, 40 espécies novas. O Museu Goeldi tem conseguido manter as suas coleções científicas em locais seguros. Foi mais de R$ 40 milhões pra gente ter segurança nas nossas coleções científicas. Passamos a ser o maior museu de história natural do Brasil”, destaca Nilson Gabas Júnior, diretor do Museu Emílio Goeldi.
Maior floresta tropical do mundo, conhecida pela megadiversidade, pelo papel de fornecer chuvas para a América do Sul e ser uma aliada importante no combate às mudanças climáticas. São 159 anos desenvolvendo pesquisas sobre a sociobiodiversidade e a conservação da região amazônica.
“Sabe-se que na Amazônia, por exemplo, você tem manchas de terra preta formuladas a partir de um grande contingente populacional que ali despejou lixo, teto das malocas, a ossada e tal. E aquilo foi se condensando de uma forma que fez com que o solo fosse extremamente fértil. O que nós conseguimos aqui no Museu Goeldi é estudar essa terra preta e reproduzir com uma startup, com uma patente já feita. Você imagina a importância disso para a agricultura familiar”, explica Nilson Gabas Júnior.
Durante a COP30, em Belém, o Parque Zoobotânico do Goeldi vai funcionar como uma extensão da Zona Verde, reforçando a importância da instituição.
“O Museu Goeldi vai ser a sede do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação. Nós vamos ter um espaço para a Embaixada da Suíça, que está nos auxiliando na renovação da casa onde morou o Emílio Goeldi. O Banco Interamericano de Desenvolvimento vai ter um prédio aqui. A Organização do Tratado de Cooperação Amazônica, a OTCA, vai ter um prédio aqui. O Museu Goeldi está se preparando para a COP a contento, no sentido de ser uma instituição de interlocução com as comunidades tradicionais na Amazônia”, completa o diretor do Museu Emílio Goeldi.
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