O Rio de Janeiro levará tempo para esquecer esta terça-feira (28). Moradores da cidade viram a operação policial mais letal já realizada. O saldo foi violento, com dezenas de mortos e mais de 80 presos. A ação foi recebida com violência pelos criminosos, e os resultados afetaram a população como um todo.
Além de deixar 64 mortos, a ação nos complexos da Penha e do Alemão prendeu 81 suspeitos de integrarem a facção Comando Vermelho. Também foram apreendidos 93 fuzis, além de uma quantidade de drogas e munições.
Vídeos divulgados em redes sociais mostram que os criminosos chegaram a usar drones para jogar granadas sobre os policiais. Houve diversos tiroteios, e moradores relataram que a polícia invadiu casas sem uso de mandados judiciais.
A operação conjunta das polícias Civil e Militar, com acompanhamento do Ministério Público Estadual, contou 2,5 mil policiais, helicópteros e veículos blindados para cumprir mandados de busca e apreensão e prisão de integrantes da facção Comando Vermelho.
No início da manhã, os policiais chegaram nas duas comunidades e foram recebidos a tiros. Barreiras fechavam os acessos de veículos. Nas redes sociais, vídeos mostram fogo e fumaça em pontos da região. Moradores se assustaram com os tiroteios.
Por causa dos confrontos, 46 escolas não abriram as portas e dez unidades de saúde tiveram o atendimento suspenso.
A Comissão de Defesa dos Direitos Humanos da Assembleia Legislativa afirmou que vai cobrar explicações sobre as circunstâncias da ação e que é preciso garantir a proteção de moradores e policiais, priorizando direitos, inteligência e planejamento.
O governo do Rio informou que a ação cumpriu as determinações do Supremo Tribunal Federal (STF) previstas na ADPF 635. Os policiais utilizaram câmeras corporais e ambulâncias apoiaram a operação.
O governador do Rio, Cláudio Castro, disse que o combate a facções criminosas ultrapassou o âmbito estadual e hoje é um problema nacional:
“O Rio de Janeiro não produz essas armas, não produz essas drogas, não produz esse poder bélico. Esse poder bélico está entrando pelas fronteiras, esse poder bélico está sendo financiado via lavagem de dinheiro. E, por isso, essa integração é tão importante. Deixar claro que, recentemente, a Polícia Federal fez uma grande operação, e nós elogiamos quando ela foi feita, e elogiaremos sempre que a gente conseguir bloquear arma, bloquear dinheiro, bloquear droga. Isso aqui não é uma briga política. Na verdade, é um é um clamor por ajuda.”
A cidade do Rio de Janeiro entrou em estágio dois de atenção por causa da retaliação dos criminosos a essa operação policial. O número de mortos ainda pode aumentar, pois muitas pessoas estão feridas nos hospitais. Entre os mortos, dois policiais civis e dois policiais militares.
Quando a cidade entra em estágio dois de atenção, isso significa que muitas vias importantes foram impactadas ao mesmo tempo, refletindo na mobilidade do trânsito como um todo. Criminosos fizeram barricadas nas ruas de diversos bairros, principalmente na Zona Norte. Também ocorreram tiroteios em diversos pontos do Rio, além dos complexos da Penha e do Alemão.
A equipe de reportagem estava indo para a Cidade da Polícia no meio da tarde, quando um grupo de jovens mascarados, de arma em punho, parou um ônibus que ficou atravessado na pista. Isso foi na Radial Oeste, em frente à favela da Mangueira. A equipe conseguiu passar, mas, logo em seguida, teve que parar, pois muitos tiros foram ouvidos e os carros começaram a dar marcha à ré. A reportagem decidiu não prosseguir e mudar a para o Centro de Operações da Prefeitura.
Clique aqui para saber como sintonizar a programação da TV Brasil.