Os chefes de estado abriram hoje (6), em Belém, Cúpula dos Líderes. Eles iniciaram as negociações em torno de temas que antecedem a COP30. O encontro marca esse início das discussões por um acordo que garanta um futuro sustentável para o planeta. Segundo o presidente Lula, o aquecimento global é um dever coletivo.
Mais de 70 chefes e representantes de Estado participaram da Cúpula dos Líderes, que abre as negociações da COP30. O encontro marcou o início das conversas para cumprir as metas do Acordo de Paris e financiar a transição verde. O presidente Lula abriu a sessão destacando que o combate ao aquecimento global é um dever coletivo.
“Belém honrará os legados das COPs 28 e 29. Acelerar a transição energética e proteger a natureza são duas maneiras mais efetivas de conter o aquecimento global. Estou convencido de que, apesar das nossas dificuldades e contradições, precisamos de mapas do caminho para planejar, de forma planejada e justa, reverter o desmatamento, superar a dependência dos combustíveis fósseis e mobilizar os recursos necessários para esses objetivos”, destacou o presidente.
Entre os principais temas em discussão está o Fundo de Financiamento das Florestas Tropicais, o TFFF. A proposta prevê recursos para que países ricos paguem nações emergentes pela preservação das florestas.
“Floresta em pé tem que valer mais do que floresta morta. É disso que a gente está falando. E, para isso, precisamos de investimentos. E quem tem que dar a maior parcela desses investimentos são as grandes economias. Quem faz a maior parte das emissões são as grandes economias. Então, elas que têm que entrar com a maior parte desses investimentos”, cobrou o ministro das Cidades Jader Barbalho.
Realizada pela primeira vez na Amazônia, a COP30 pretende reforçar o papel da região no debate global sobre desmatamento e desenvolvimento sustentável.
“Aqui, residem milhões de pessoas e centenas de povos indígenas, cujas vidas são atravessadas pelo falso dilema entre a prosperidade e a preservação. São elas que, diariamente, conjugam, em seus modos de vida, a busca legítima por uma existência digna, com a missão vital de proteger um dos maiores patrimônios naturais da humanidade”, disse Lula.
O Fundo Florestas Tropicais para Sempre é uma das principais apostas do Brasil e foi o tema central do primeiro dia da Cúpula de Líderes, em Belém. E ele já começa com uma promessa de US$ 5 bilhões em aportes internacionais.
No primeiro dia da COP30, em Belém, houve um anúncio histórico: o início das operações do Fundo Florestas Tropicais para Sempre, conhecido pela sigla TFFF. Esse fundo foi criado para financiar a preservação das grandes florestas tropicais do planeta. Quem mantiver as florestas em pé vai receber US$ 4 por hectare. O fundo começa com mais de US$ 5,5 bilhões. A Noruega vai aportar US$ 3 bilhões; a Indonésia, US$ 1 bilhão; a França, 500 milhões de euros; e o Brasil vai aportar também US$ 1 bilhão. Outros países devem anunciar novos aportes ainda dentro da COP, o que deixará o fundo ainda mais forte. O fundo já conta com 53 países investidores, entre eles Alemanha, Bélgica, Canadá, Portugal, Suécia e a União Europeia. A meta é triplicar este fundo nos próximos três anos. Segundo o Ministério da Fazenda, a expectativa é que para cada dólar público investido, a iniciativa privada invista com outros US$ 4.
A ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara, ressaltou que pelo menos 20% desse recurso irá para os povos tradicionais, como indígenas e quilombolas. Já a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, destacou que a proposta é uma forma sustentável de manter as florestas em pé:
“É possível ter um instrumento que vai financiar a proteção das florestas tropicais e que não é doação. Tanto recursos públicos quanto recursos privados que forem aportados para o fundo Floresta Tropical para Sempre, terão o seu dinheiro de volta. E o mais importante, eles terão o seu dinheiro de ida também para a proteção das florestas.”
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