Dez anos atrás, o Brasil enfrentou uma séria epidemia de uma doença que ainda era quase desconhecida: a zika, transmitida pelo mesmo mosquito da dengue. A principal consequência foi o nascimento de bebês com microcefalia, uma condição congênita que afeta o crescimento saudável do cérebro das crianças.
Há dez anos, durante a gestação, Nádia recebeu o diagnóstico de que estava com zika vírus. Os efeitos da infecção alcançaram a filha dela, Lorena, hoje com 9 anos, que nasceu com a Síndrome Congênita do vírus zika.
Entre 2015 e 2016, o Brasil viveu a epidemia de um vírus parecido com a dengue, também transmitido pelo mosquito Aedes aegypti. O zika vírus foi especialmente mais grave em grávidas, com sequelas diversas nos filhos, a mais comum entre elas, bebês com microcefalia. Os efeitos da zika eram desconhecidos. Algumas crianças até nasciam sem sinais visíveis, mas apresentavam atrasos de desenvolvimento mais tarde.
Em 2016, a OMS classificou a epidemia de zika como uma emergência de saúde pública de importância internacional. Médicos que atuavam na atenção às gestantes apontaram a necessidade de um atendimento multidisciplinar aos pacientes. O Instituto Fernandes Figueira, da Fiocruz, no Rio de Janeiro, foi um dos espaços de acolhimento.
A falta de investimento ao longo dos anos deixou o caminho mais difícil para entender a síndrome e combater os efeitos do zika vírus. Em muitos casos, a infecção na gestante aconteceu de forma assintomática, o que dificulta o reconhecimento de novos casos.
Dez anos depois das primeiras infecções com zika no Brasil, dificuldades ainda persistem. Não existem protocolos para intervenção precoce nos municípios. Faltam vagas para atendimento de centros de reabilitação. E as famílias também têm dificuldade em encontrar profissionais especializados. Muitas crianças e adolescentes que vivem com a Síndrome Congênita do Zika Vírus ainda só conseguem atendimento especializado pela via judicial.
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