O documento final da COP30 está sendo divulgado, mas ficou abaixo do que era esperado. O texto deixou de fora pontos centrais, como o plano de redução de combustíveis fósseis e o chamado “mapa do caminho”, que estabelece metas e prazos para tirar do papel os acordos desta conferência. Mesmo assim, a plenária aprovou mais de uma dezena de documentos, entre eles o “Mutirão Global”, que propõe uma nova mobilização internacional contra a mudança do clima.
O documento final da COP30, que está sendo negociado há 12 dias, saiu, mas deixou de fora pontos importantes, como o plano de redução de combustíveis fósseis e o Mapa do Caminho, que são os planos que estabelecem etapas, prazos e metas concretas para que seja possível a execução dos acordos firmados aqui.
Os textos aprovados refletem o ambiente de disputas entre governos que marcou a COP30.
Durante doze dias, a Cidade das Mangueiras, também conhecida pela chuva da tarde, pelo povo acolhedor e pela culinária inconfundível, recebeu os olhos do mundo na 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas. A conferência foi historicamente significativa por ser a primeira no Brasil e na Amazônia, mas também por ser a edição com maior participação de comunidades tradicionais, afrodescendentes e indígenas já registrada.
A plenária final da COP30, programada para as 10h da manhã deste sábado, só começou por volta de 13h20 e foi suspensa por volta de 14h15. A paralisação ocorreu porque alguns países, entre eles Colômbia, Panamá, Uruguai e Argentina, questionaram a aprovação de alguns dos itens. Depois dos questionamentos, o presidente decidiu suspender a sessão para conversar com as delegações e tentar solucionar as dúvidas sobre a aprovação dos textos. Antes da sessão ser interrompida, oito pontos do pacote final da COP30 foram aprovados pelos países.
Entre eles, o documento político central da conferência — o Mutirão — que reafirma que a transição global para um desenvolvimento de baixas emissões é irreversível e que o Acordo de Paris “está funcionando”, mas precisa ir “mais longe e mais rápido”. O texto também convoca uma mobilização global para acelerar a implementação das metas climáticas de cada país (as NDCs), lança o Acelerador Global de Implementação e estabelece que países devem trilhar caminhos alinhados ao limite de 1,5°C.
O “Mapa do Caminho — Para Longe dos Combustíveis Fósseis”, pedido pelo presidente Lula ainda na Cúpula dos Líderes e que teve o apoio de 82 países, ficou de fora do documento final da COP30. De acordo com o presidente da COP, André Corrêa do Lago, essa proposta não foi perdida, mas será apresentada à parte pelo Brasil e deve ser trabalhada nos próximos meses, em paralelo, durante a presidência brasileira até a COP31, na Turquia.
A COP30 pode não ter atingido a expectativa imediata de ser a COP da implementação, como era o desejo dos organizadores. Mas, com 196 países representados, ela trouxe avanços para o campo do clima. Indígenas e quilombolas estiveram presentes por aqui, com participação recorde de 900 indígenas na Blue Zone e mais de 3 mil envolvidos nas atividades em Belém. Eles foram explicitamente reconhecidos no texto de mitigação. Doadores anunciaram US$ 1,8 bilhão em apoio direto e indireto a povos indígenas e comunidades locais. Povos afrodescendentes também foram incluídos de forma significativa, assim como crianças e mulheres.
Ficou evidenciado que eles são os mais prejudicados pela crise climática. Países firmaram acordos de desmatamento zero e de recomposição de florestas degradadas até 2030.
A COP quer o triplo de verba para adaptação até 2035. O texto reforça que o mundo precisa aumentar de forma drástica e urgente o financiamento para adaptação, com metas explícitas para pressionar países desenvolvidos.
Outro acordo: cinco países se comprometeram com aportes financeiros para o Fundo de Florestas Tropicais para Sempre (TFFF). Em suma, a COP trouxe avanços e decepções. O documento final, apresentado hoje, e que vem sendo negociado há 12 dias, saiu — mas deixou de fora pontos importantes como a redução de combustíveis fósseis, principalmente por causa da resistência de EUA, Rússia e Arábia Saudita.
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