A Fundação Getúlio Vargas (FGV) divulgou nesta sexta-feira (5) o estudo Filhos do Bolsa Família que mostra que 6 em cada 10 beneficiários do programa em 2014 deixaram a ação nos últimos 10 anos por aumentarem a renda familiar, seja por meio de trabalho formal ou informal.
Criado pelo governo em 2003 para combater a fome e a extrema pobreza, o programa atende mais de 18 milhões de famílias.
Nos últimos 10 anos, 60% dos beneficiários conseguiram aumento de renda e abriram mão do benefício. A saída foi mais elevada entre os jovens que tinham de 15 a 17 anos em 2014. Mais de 70% desse público deixou o programa 10 anos depois, em 2025.
Para o pesquisador e coordenador do estudo, Valdemar Pinto Neto, a saída expressiva se deve às condicionantes do programa na área de saúde, como manter a carteira de vacinação atualizada e também na área de educação.
"As condicionalidades na área da educação vão requerer deles uma frequência mínima na escola. Para quê? Para garantir que a transferência de renda também está, ao mesmo tempo, viabilizando o fomento de capital humano desses jovens, para que no futuro, tendo a oportunidade de trabalho, de empreendedorismo, eles de fato consigam acessar o setor produtivo, terem melhores condições socioeconômicas e, de certa forma, viabilizar essa mobilidade socioeconômica."
O estudo também mostra desigualdades regionais. As taxas de saída do Bolsa Família nos últimos 10 anos, entre crianças e jovens de 6 a 17 anos, foram maiores no Sul, seguido por Centro-Oeste e Sudeste. O número de pessoas que deixaram o programa também foi maior em áreas urbanas e em famílias cujos pais tinham maior índice de escolaridade.
O ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, participou do lançamento da pesquisa e falou dos principais desafios do Bolsa Família.
"Além da segurança alimentar, a superação da pobreza garante que, além do emprego e do empreendedorismo, as famílias que moram em locais que já tem energia, comunicação, água, saneamento e habitação, que têm um conjunto de benefícios e necessidades atendidas ali, os seus filhos e aquela família tiveram maior facilidade de superar a pobreza."
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